Pular para o conteúdo
Política

Israel vai às urnas em eleição marcada por polarização e segurança

Cidadãos israelenses elegem os 120 membros do Knesset nesta terça-feira em uma disputa acirrada entre Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot.

Por 3 min de leitura

Israel vai às urnas em eleição marcada por polarização e segurança
Israel vai às urnas em eleição marcada por polarização e segurança

Os eleitores de Israel comparecem às urnas nesta terça-feira para eleger os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento do país, em um pleito legislativo que ocorre pela primeira vez desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. A votação deste ano é vista como um veredito sobre a guinada à direita liderada pelo atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que tenta se manter no poder em meio a um cenário de forte fragmentação política e profundas divisões na sociedade.

Cerca de 7,3 milhões de eleitores estão aptos a participar do processo eleitoral em um sistema parlamentarista, no qual os cidadãos votam em listas partidárias e não diretamente para o cargo de chefe de governo. Para conseguir governar, a legenda ou o bloco vencedor precisa construir uma coalizão que alcance ao menos 61 cadeiras. Pesquisas recentes de intenção de voto apontam um cenário de empate técnico entre Netanyahu, líder do partido Likud, e seu principal opositor, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e comandante da legenda de centro Yashar.

A campanha eleitoral foi fortemente influenciada por questões de segurança nacional, pela condução das frentes de batalha na Faixa de Gaza e no Líbano, e pelas críticas direcionadas a Netanyahu em relação a supostas falhas de inteligência que precederam os atentados de 2023. Enquanto o atual primeiro-ministro destacou sua experiência de longo prazo e sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a oposição centrista focou na promessa de alternância de poder, maior transparência institucional e na criação de uma comissão independente para investigar os episódios de outubro.

Outro tema central que divide o eleitorado e a classe política envolve a isenção do serviço militar obrigatório para os judeus ultraortodoxos, um benefício historicamente defendido pelos aliados religiosos da base governista, mas combatido por setores da oposição diante da carência de recrutas nas Forças Armadas. A revogação da reforma judicial e o alto custo de vida, com destaque para os valores de moradia e alimentação, também figuraram entre as principais preocupações relatadas pelos eleitores antes da abertura dos locais de votação.

O cenário internacional também marcou o debate político, com o endosso de aliados externos a Netanyahu contrastando com a postura da oposição, que enfatizou que os rumos do governo dependem exclusivamente das decisões da população local. Além disso, as listas formadas por partidos de maioria árabe representam um fator de incerteza e podem ter peso relevante na formação de alianças futuras, visto que nenhum dos principais blocos favoritos tem garantia matemática de maioria absoluta no Parlamento.

As seções eleitorais abriram às 7h no horário local e o encerramento ocorreu às 22h, com a expectativa de divulgação de pesquisas de boca de urna logo após o fechamento. No entanto, os resultados oficiais definitivos só devem ser publicados no início de novembro, e o processo de articulação para a formação de uma nova coalizão governamental poderá se estender por várias semanas, não estando descartada a convocação de novos pleitos em caso de impasse político.

Fontes consultadas

Leia também