Itália envia 500 militares a Milão e endurece regras após protestos violentos
Governo de Giorgia Meloni aprova decreto com novas penas para manifestações violentas e responsabilização de menores.
O governo da Itália anunciou o envio de 500 paraquedistas e soldados do Exército para a cidade de Milão, no norte do país, após uma série de tumultos, saques e confrontos com a polícia registrados durante o último fim de semana. A medida faz parte de uma resposta rigorosa elaborada pela administração da primeira-ministra Giorgia Meloni para conter a onda de violência associada a manifestações juvenis contra o aumento do custo de vida e a falta de investimentos na educação.
A decisão de mobilizar as forças armadas foi detalhada após reuniões entre ministros e autoridades de segurança. O deslocamento dos militares ocorrerá no âmbito do programa Ruas Seguras, iniciativa de longa data que utiliza efetivos do Exército em funções de apoio à segurança urbana e patrulhamento de pontos sensíveis. A operação contará com tropas de elite e poderá incluir especialistas em uso de drones até o final do ano.
Inicialmente, o plano previa a concessão de poderes de polícia judiciária aos militares, mas a prerrogativa foi descartada após objeção do presidente da República, Sergio Mattarella. Com isso, caberá ao chefe da província de Milão, em conjunto com o comando da polícia local, definir as funções específicas dos soldados, que poderão atuar em patrulhamentos e na vigilância estática.
Os distúrbios na capital da Lombardia resultaram em centenas de detenções e dezenas de policiais feridos. Dados oficiais apontam que cerca de 80% dos detidos durante os atos de vandalismo, que incluíram a depredação de lojas de luxo e confrontos com uso de gás lacrimogêneo, eram menores de idade. A situação levou o Executivo a aprovar um decreto de segurança com novas tipificações criminais e sanções mais duras.
Entre as principais alterações anunciadas pelo governo estão a criação do crime de participação violenta em manifestações, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão para quem integrar grupos envolvidos em atos de depredação ou lançamento de projéteis. Além disso, o pacote estabelece a responsabilização financeira dos pais ou responsáveis legais por danos causados por menores a propriedades públicas e privadas.
As novas regras também facilitam a detenção preventiva de adolescentes flagrados com objetos que possam ser empregados como armas e ampliam as medidas cautelares aplicáveis a menores de idade. A primeira-ministra defendeu as iniciativas afirmando que o direito ao protesto é legítimo, mas que a destruição de cidades é inadmissível. O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini e outros líderes governistas reforçaram o tom severo contra os atos de vandalismo.
A onda de protestos que atingiu a Itália insere-se em um contexto mais amplo de insatisfação social verificado recentemente em diversos países europeus, impulsionado pela alta nos custos de subsistência e pela deterioração de serviços públicos. Enquanto o governo italiano aposta na repressão e no reforço militar para restabelecer a ordem pública, especialistas e oposicionistas apontam a necessidade de debater as causas estruturais e o bloqueio de expectativas que afetam as gerações mais jovens.
Fontes consultadas
- Após protestos, Itália mandará 500 paraquedistas do Exército a Milão terra.com.br
- Itália enviará 500 militares a Milão e Meloni endurece regras para responsabilização penal de adolescentes após distúrbios oglobo.globo.com
- Itália enviará 500 militares para Milão e suportará penas após distúrbios diariodepernambuco.com.br
- Após confrontos, Itália irá enviar militares a Milão e endurecer penas a menores noticias.uol.com.br
- Itália anuncia envio de 500 soldados para Milão após onda de violência em protestos veja.abril.com.br