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Política

Itamaraty convoca diplomata argentina para esclarecer fuga de Flávio Bolsonaro

Ministério das Relações Exteriores pediu explicações formais após relatos de apoio do governo de Javier Milei à saída do senador do país.

Por 2 min de leitura

Itamaraty convoca diplomata argentina para esclarecer fuga de Flávio Bolsonaro
Itamaraty convoca diplomata argentina para esclarecer fuga de Flávio Bolsonaro

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina em Brasília, María Emilia Cortés, para prestar esclarecimentos formais sobre o papel do governo argentino na saída do senador Flávio Bolsonaro do território brasileiro em direção aos Estados Unidos. O encontro ocorreu no Palácio Itamaraty, onde a diplomata foi recebida pelo chefe do Departamento do Mercosul, o embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz.

A convocação na linguagem diplomática representa um sinal formal de constrangimento e ocorreu após a revelação de que o senador, derrotado no segundo turno das eleições presidenciais por Luiz Inácio Lula da Silva, deixou o Brasil descumprindo uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de sair do país e determinava a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação por suspeita de branqueamento de capitais.

Segundo reportagens da imprensa argentina e internacional, a operação de fuga contou com suporte logístico direto. Registros indicam que o estrategista político e assessor da Casa Rosada Santiago Caputo esteve presente no aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira argentina, para auxiliar no embarque de Flávio Bolsonaro, da esposa e das duas filhas em um jato particular que seguiu para o Equador antes de pousar na Flórida, nos Estados Unidos.

A Justiça da Argentina também determinou que agências federais do governo de Javier Milei preservem imagens de câmeras de segurança que registraram a rota do senador pelo país. A medida acontece no momento em que parlamentares da oposição exigem investigações e a procuradoria argentina avalia a abertura de um inquérito para apurar a participação de autoridades do Estado na operação irregular.

As relações diplomáticas entre Brasil e Buenos Aires encontram-se rebaixadas desde agosto, quando o governo brasileiro ordenou o regresso de seu embaixador em retaliação a ataques verbais proferidos pelo presidente argentino Javier Milei contra o presidente Lula da Silva. Atualmente, a representação argentina em Brasília é conduzida por uma encarregada de negócios.

Apesar do atrito e da convocação oficial, a orientação da diplomacia brasileira e do Palácio do Planalto tem sido adotar uma postura pragmática e evitar embates diretos com os governos da Argentina e dos Estados Unidos sobre o episódio. A avaliação interna é de que o caso de Flávio Bolsonaro deve ser tratado estritamente no âmbito judicial, enquanto a Polícia Federal investiga os detalhes da cooperação estrangeira em sua saída do Brasil.

Fontes consultadas

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