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Economia

Justiça do Paraguai investiga fraude de US$ 74 milhões no Ueno Bank

Instituição financeira é acusada de simular venda de carteira de crédito usando recursos próprios, provocando intervenção e protestos.

Por 3 min de leitura

Justiça do Paraguai investiga fraude de US$ 74 milhões no Ueno Bank
Justiça do Paraguai investiga fraude de US$ 74 milhões no Ueno Bank

O Ministério Público do Paraguai revelou um esquema de fraude financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição acusada de utilizar recursos da própria entidade para simular a venda de uma carteira de créditos avaliada em US$ 74,4 milhões. A operação, realizada por meio de empresas intermediárias, teria como objetivo ocultar a real situação patrimonial do banco após pressões da Superintendência de Bancos e investigações sobre empréstimos irregulares concedidos a companhias ligadas aos controladores.

Segundo as investigações, a carteira de créditos, composta por dívidas de empresas como Grupo Hendy, Grupo M e MOWI, foi formalmente adquirida pela Vinanzas SA em 15 de junho de 2026. No entanto, o rastreamento financeiro indicou que a compradora pertencia ao próprio Ueno Bank e não possuía fundos próprios suficientes para a transação. Apenas um dia antes da aquisição, a conta da Vinanzas registrava um saldo de apenas US$ 93,8 mil, recebendo um aporte de US$ 76,06 milhões pouco antes da operação.

O dinheiro utilizado na compra teria origem em empréstimos concedidos pelo próprio banco a outras empresas entre os dias 11 e 15 de junho. Valores milionários foram liberados para companhias como Technoma, La Tropa Fletes, HD Invest, Satec e Factopar, sendo posteriormente transferidos para a Vinanzas. O Ministério Público afirmou que essa manobra impediu a verificação do estado real da instituição, criando a aparência de uma redução na exposição a riscos sem que houvesse entrada de capital externo.

O escândalo resultou na prisão de oito dirigentes do banco, incluindo o presidente Juan Manuel Gustale Cardoni, o fundador Federico Miguel Vázquez Villasanti e a segunda vice-presidente Diana Leticia Mongelós González. Outras 19 pessoas ligadas às empresas envolvidas no esquema também estão sob investigação. Os detidos enfrentam acusações de abuso de confiança, tentativa de fraude e descumprimento de normas contábeis. O advogado de Gustale Cardoni declarou que seu cliente desconhecia a natureza das operações e a conexão entre as empresas envolvidas.

A crise financeira levou o Banco Central do Paraguai a decretar a intervenção e o fechamento das agências do Ueno Bank. Para mitigar os danos aos correntistas, a autoridade monetária antecipou o pagamento pelo Fundo Garantidor de Depósitos, com limite de cobertura de aproximadamente US$ 38 mil por cliente. A expectativa é que os pagamentos sejam concluídos em até cinco dias úteis, enquanto o banco passa por um processo de resolução para proteger os ativos e passivos da instituição.

O caso ganhou contornos políticos intensos, desencadeando manifestações em Assunção. Protestos contra o governo do presidente Santiago Peña, que manteve investimentos na holding controladora do banco até 2025, foram reprimidos pela polícia com o uso de jatos de água e bombas de efeito moral. A oposição questiona a relação entre o governo e o Ueno Bank, que administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo verbas do sistema previdenciário, e exige esclarecimentos sobre possíveis conflitos de interesse.

A renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, solicitada por Peña, também marcou o desdobramento da crise. Carvallo, que presidiu o Ueno antes de assumir o comando da autoridade monetária em 2023, foi alvo de críticas por parlamentares sobre a supervisão da instituição. Enquanto o governo tenta conter a instabilidade, o mercado financeiro observa com preocupação a desvalorização dos títulos do banco e o impacto da crise na confiança do sistema financeiro paraguaio.

Fontes consultadas

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