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Política

Presidente do Paraguai renuncia após colapso do Ueno Bank

Santiago Peña deixou o cargo em meio a uma crise financeira e protestos populares que pressionavam por sua saída.

Por 3 min de leitura

Presidente do Paraguai renuncia após colapso do Ueno Bank
Presidente do Paraguai renuncia após colapso do Ueno Bank

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira, em um movimento motivado pela grave crise financeira deflagrada pelo fechamento do Ueno Bank. A instituição, que operava como um importante credor digital no país, teve suas atividades interrompidas devido a uma séria crise de solvência, deixando milhares de clientes sem acesso aos seus recursos financeiros.

Em uma mensagem transmitida por vídeo, Peña afirmou que sua decisão foi tomada em prol da estabilidade nacional e da preservação das instituições democráticas. O presidente pediu desculpas à população por eventuais falhas durante sua gestão e destacou que sua prioridade imediata é garantir a tranquilidade dos cidadãos que confiaram suas economias ao sistema financeiro paraguaio.

O colapso do banco gerou uma onda de indignação no país, resultando em protestos e na abertura de um processo de impeachment no Congresso. Parlamentares da oposição e dissidentes da base governista acusaram o presidente de negligência sistemática e conflitos de interesse, visto que Peña possuía vínculos comerciais anteriores com o grupo controlador da instituição financeira.

A crise se agravou após o Banco Central do Paraguai identificar que o Ueno Bank operava com índices de solvência muito abaixo do mínimo exigido, após ajustes realizados em seus demonstrativos financeiros. O banco, que administrava cerca de 850 milhões de dólares em fundos públicos, incluindo verbas de pensões de trabalhadores, viu suas operações serem alvo de intervenção estatal, o que resultou no bloqueio das contas de aproximadamente 3 milhões de clientes.

Os desdobramentos judiciais da crise já atingiram o alto escalão da instituição. Oito executivos do Ueno Bank foram detidos por autoridades locais, e a justiça determinou o congelamento de seus bens enquanto as investigações sobre possíveis fraudes e má gestão prosseguem. Além disso, o chefe do Banco Central do Paraguai também apresentou sua renúncia na última terça-feira, em meio ao agravamento do cenário econômico.

O Congresso paraguaio deve se reunir para formalizar o recebimento da renúncia de Peña. A expectativa é que o vice-presidente, Pedro Alliana, assuma o comando do país para garantir uma transição rápida. A situação tem gerado preocupação sobre a reputação do Paraguai como um destino estável para investimentos estrangeiros, especialmente em um momento em que a confiança no sistema bancário local foi severamente abalada.

Santiago Peña, um economista que assumiu a presidência em agosto de 2023 para um mandato de cinco anos, sempre negou qualquer irregularidade em seus vínculos passados com o Grupo Vázquez, proprietário do banco até março de 2025. Ele sustentou que a controvérsia foi politizada e que questões técnicas e regulatórias deveriam ser tratadas exclusivamente pelas instâncias judiciais competentes.

Fontes consultadas

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