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Política

Marine Le Pen promete cortar ajuda financeira à Ucrânia se for eleita

A líder do partido Reagimento Nacional afirmou em Bruxelas que a França não tem mais condições de manter o apoio a Kiev após um período de transição de seis meses.

Por 3 min de leitura

Marine Le Pen promete cortar ajuda financeira à Ucrânia se for eleita
Marine Le Pen promete cortar ajuda financeira à Ucrânia se for eleita

A candidata à presidência da França pelo partido Reagimento Nacional, Marine Le Pen, declarou na última quarta-feira, em Bruxelas, que pretende encerrar o apoio financeiro francês à Ucrânia após um período de seis meses caso vença as eleições presidenciais. Durante entrevista à rede de televisão flamenga VRT News, a política de extrema-direita explicou que a medida visa garantir uma transição sem colocar ninguém em situação extrema.

Segundo Le Pen, a manutenção do auxílio por mais tempo é inviável porque a França está à beira de um colapso em sua dívida pública. A representante justificou que o país não dispõe mais de recursos suficientes para continuar financiando o esforço de guerra ucraniano contra a Rússia. Apesar da suspensão programada, ela garantiu que sua postura é transparente e não representa uma traição ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

A líder nacionalista sugeriu que Kiev busque suporte financeiro junto a outras nações da União Europeia que apresentem uma situação econômica mais estável do que a francesa e que possam assumir essa responsabilidade. A primeira volta do pleito presidencial francês está marcada para o dia 18 de abril, enquanto o segundo turno deve ocorrer em 2 de maio.

Além da questão ucraniana, Le Pen abordou o orçamento de longo prazo da União Europeia. Ela exigiu o adiamento das negociações sobre o orçamento setenário do bloco para o período entre 2028 e 2034, defendendo que o acordo só deve ser fechado após a realização dos próximos pleitos na França, Itália, Polônia e Espanha, classificando um acordo antecipado como um escândalo democrático.

As declarações da política geraram forte reação imediata no cenário político francês. O ministro delegado encarregado da Europa, Benjamin Haddad, criticou duramente a proposta e afirmou que abandonar a Ucrânia, descrita por ele como o primeiro reduto da defesa europeia, custará muito mais caro aos interesses de segurança do continente.

Haddad ressaltou ainda que os parceiros europeus manterão a resiliência no apoio a Kiev, defendendo a aceleração na entrega de armamentos e suprimentos de inteligência. No mesmo sentido, o político Gabriel Attal acusou a rival de extrema-direita de querer permitir que os ucranianos fiquem desamparados diante do conflito armado.

O debate sobre a postura em relação à Ucrânia ocorre em um momento de intensificação da corrida eleitoral francesa para 2027. Enquanto candidaturas de diferentes espectros políticos buscam alianças e apresentam propostas econômicas alternativas, o tema da política externa e da ajuda internacional continua no centro das discussões sobre o futuro da posição da França na Europa.

Fontes consultadas

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