Meta admite falha técnica que afetou campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro
A empresa prestou esclarecimentos ao Tribunal Superior Eleitoral e negou qualquer tipo de interferência deliberada no processo eleitoral brasileiro.
A Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, reconheceu nesta sexta-feira (16) a ocorrência de falhas técnicas em seus sistemas de inteligência artificial e ferramentas de anúncios. Os problemas geraram repercussão política após afetarem de maneiras distintas as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro, levando representantes da companhia a prestar esclarecimentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em nota oficial divulgada à imprensa, a companhia negou veementemente ter promovido interferências ou favorecido qualquer candidato nas eleições. A manifestação ocorreu após críticas públicas e contestações judiciais movidas pela coligação do atual presidente. Segundo a corporação, os incidentes técnicos recentes impactaram anunciantes e candidatos de diferentes correntes políticas em âmbito global.
Ao detalhar o funcionamento de seus assistentes de inteligência artificial, a Meta explicou que os algoritmos possuíam bloqueios para impedir buscas e gerações relacionadas aos sobrenomes dos políticos. No entanto, uma falha na identificação de nomes próprios combinados com números de campanha permitiu que solicitações utilizando termos como 'Flávio' ou 'Luiz' gerassem imagens de cartazes eleitorais de forma indevida.
A empresa sustentou que a brecha afetava simetricamente ambos os lados da disputa. "Bloquear isoladamente nomes comuns como 'Flávio' ou 'Luiz' impediria muitas solicitações cotidianas de geração de imagens e não políticas", argumentou a companhia, acrescentando que a vulnerabilidade foi corrigida no mesmo dia em que foi identificada.
Além da falha na inteligência artificial, a defesa apresentada ao TSE detalhou outros episódios registrados nas últimas semanas. Entre eles, destacam-se a desativação temporária da conta de anúncios de Lula por pouco mais de uma hora em 23 de setembro — após um filtro automatizado classificar incorretamente um conteúdo como possível fraude em programas sociais — e uma falha global no rastreio de visualizações de reels ocorrida em 7 de outubro, que também atingiu o perfil do senador Flávio Bolsonaro.
A companhia informou que cerca de 70% das restrições e intervenções aplicadas sobre as contas associadas a Lula decorreram de ordens judiciais emitidas pela própria Corte Eleitoral, enquanto o restante obedeceu a normativas legais da legislação brasileira. Na avaliação entregue à Justiça, a Meta destacou que o próprio TSE não encontrou evidências de manipulação deliberada em seus algoritmos para beneficiar ou prejudicar candidaturas.
Por fim, a empresa criticou o atual modelo regulatório para as redes sociais no Brasil, argumentando que a ampliação da responsabilidade sobre conteúdos de terceiros eleva os riscos de remoções excessivas e indevidas. Com os esclarecimentos prestados, a organização busca encerrar os questionamentos sobre a atuação de suas ferramentas tecnológicas no cenário eleitoral do país.
Fontes consultadas
- Meta admite falha misteriosa envolvendo Lula e Flávio Bolsonaro e revela o que aconteceu nos bastidores da IA - Contigo! contigo.com.br
- Meta nega interferência nas eleições brasileiras poder360.com.br
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