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Economia

Meta de reindustrialização do governo Lula enfrenta desafio sem precedentes

Especialistas apontam que elevar a participação do setor no PIB exigirá esforço complexo e coordenação de políticas públicas até 2033.

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Meta de reindustrialização do governo Lula enfrenta desafio sem precedentes
Meta de reindustrialização do governo Lula enfrenta desafio sem precedentes

O quarto mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva tem como um dos principais desafios econômicos estancar a retração da indústria de transformação e recuperar sua participação no Produto Interno Bruto brasileiro. Presente no plano de governo, a chamada neoindustrialização é considerada por especialistas e entidades do setor como um processo de altíssima complexidade e virtualmente inédito no cenário internacional.

Dados históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que a indústria de transformação respondia por 35,9% do PIB nacional em 1985, enquanto no ano passado essa fatia caiu para 13,7%. Para Rafael Cagnin, diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, não existem evidências de processos de destaque semelhantes em outros países, o que reforça o caráter desafiador da meta brasileira.

Para mitigar o quadro de desindustrialização precoce acumulado nas últimas décadas devido a fatores como abertura comercial acelerada, juros altos e carga tributária elevada, o governo federal lançou o programa Nova Indústria Brasil. Coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a política industrial prevê linhas de crédito, subsídios e incentivos para estimular investimentos e inovação até 2033.

A estratégia conta com recursos expressivos para financiamentos voltados à neoindustrialização, articulando ferramentas como o Plano Mais Produção e o programa Brasil Mais Produtivo. A iniciativa busca impulsionar setores estratégicos alinhados à transição ecológica, segurança alimentar e inovação digital, além de utilizar o poder de compras públicas e marcos regulatórios para fortalecer o conteúdo nacional.

Apesar dos recursos disponibilizados por instituições financeiras e agências de fomento, lideranças empresariais ponderam que os efeitos práticos ainda carecem de maior visibilidade no cotidiano produtivo. Representantes industriais destacam a necessidade de garantir previsibilidade de longo prazo para afastar o risco de interrupções no planejamento fabril e assegurar a competitividade frente ao mercado internacional.

A importância da manufatura para a economia nacional é respaldada por levantamentos da Confederação Nacional da Indústria, que apontam o setor como responsável por quase metade das exportações de bens e serviços e pela maior parte dos investimentos empresariais em pesquisa e desenvolvimento. Analistas reforçam que a consolidação da política industrial será determinante para definir o protagonismo produtivo do país nas próximas décadas.

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