Milton Leite recebe políticos na cadeia e cinco policiais são afastados em SP
Ex-vereador preso em Mogi das Cruzes recebeu visitas de parlamentares para tratar de articulações partidárias, enquanto investigação apura suspeitas de regalias.
O ex-vereador Milton Leite (União), preso há um mês no âmbito de uma investigação sobre a suposta infiltração do crime organizado em empresas de ônibus na capital paulista, recebeu a visita de políticos na cadeia pública de Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, para tratar de articulações partidárias. A situação veio a público após desdobramentos que culminaram no afastamento de cinco policiais civis suspeitos de permitirem favorecimentos na unidade prisional.
Neste domingo (18), o deputado estadual Delegado Olim (PP) confirmou que esteve no estabelecimento carcerário após o primeiro turno das eleições para alinhar detalhes sobre a federação partidária entre União Brasil e PP. Olim pretende assumir a liderança do grupo na Assembleia Legislativa de São Paulo em fevereiro e precisava do aval de Leite, que é presidente do diretório municipal do União Brasil e copresidadente estadual da federação.
Em declaração, o deputado afirmou ter ido ao local para resolver questões político-partidárias e garantiu que o ex-parlamentar determinou o apoio ao seu nome na liderança do bloco. Além de Olim, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também teria visitado o ex-vereador acompanhado de sua esposa, segundo relatos citados em depoimento da delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarete Barreto.
A visitação a Leite motivou uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Civil realizada na última sexta-feira (16). Na ocasião, foram apreendidos cerca de R$ 155 mil e aproximadamente US$ 10 mil na residência de um carcereiro suspeito de facilitar regalias para o detento. Mandados de busca também foram cumpridos no 1º Distrito Policial da cidade.
Como consequência da operação, a Delegacia-Geral da Polícia Civil determinou o afastamento imediato de três delegados, um investigador e o carcereiro envolvidos. A Secretaria da Segurança Pública informou que um inquérito policial e um procedimento disciplinar foram instaurados para apurar rigorosamente as circunstâncias dos fatos e individualizar eventuais responsabilidades administrativas e criminais.
A defesa de Milton Leite negou veementemente qualquer privilégio na prisão. Em nota, o advogado Aloísio Medeiros afirmou que o político cumpre as mesmas normas, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados na unidade, destacando a rigidez do sistema carcerário. A defesa também apontou o que classificou como tendência ao exagero na manutenção da prisão temporária do ex-vereador.
Leite foi preso inicialmente durante a operação Vectura Corrupta, que investiga a suposta atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no gerenciamento de linhas de transporte público de ônibus em São Paulo. Os investigadores apontam o ex-vereador como o verdadeiro dono da Transwolff, empresa cujo contrato foi rescindido pela Prefeitura de São Paulo. A defesa nega todas as acusações e sustenta que faltam elementos concretos e provas materiais que justifiquem a medida restritiva de liberdade.
Fontes consultadas
- Milton Leite recebeu políticos e tratou de federação partidária na cadeia www1.folha.uol.com.br
- Polícia Civil de SP afasta três delegados, um investigador e um carcereiro em Mogi das Cruzes - Agência SP, a agência de notícias de São Paulo agenciasp.sp.gov.br
- Corregedoria de SP afasta cinco policiais por suspeitas de favorecimento a presos noticias.r7.com