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Política

Polícia Civil afasta delegados por suspeita de regalias a ex-vereador

Três delegados, um investigador e um carcereiro de Mogi das Cruzes foram afastados após investigações da Corregedoria sobre facilidades na prisão.

Por 3 min de leitura

Polícia Civil afasta delegados por suspeita de regalias a ex-vereador
Polícia Civil afasta delegados por suspeita de regalias a ex-vereador

A Polícia Civil de São Paulo anunciou neste sábado o afastamento de três delegados, um investigador e um carcereiro lotados em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A medida ocorre no âmbito de apurações sobre um suposto esquema de favorecimento ao ex-vereador Milton Leite, que se encontra custodiado na cadeia pública do município.

A decisão da corporação foi formalizada após os servidores prestarem depoimento à Corregedoria da Polícia Civil. Segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública, foram abertos um inquérito policial e um procedimento disciplinar para examinar as supostas irregularidades, com o intuito principal de evitar qualquer tipo de interferência nas apurações em curso.

A investigação interna é um desdobramento direto da Operação Custódia (In)Fiel, deflagrada na véspera pelo Ministério Público de São Paulo. A ação do Ministério Público busca esclarecer denúncias de que o ex-parlamentar estaria recebendo regalias indevidas no estabelecimento prisional, incluindo a realização de visitas de políticos e conhecidos fora dos dias e horários estipulados pelas normas da unidade.

Como parte das diligências conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no primeiro distrito policial local e em um endereço residencial na cidade. Durante as buscas, autoridades apreenderam quantias expressivas em dinheiro, incluindo cerca de 150 mil reais e 10 mil dólares na residência de um carcereiro, além de 4 mil reais encontrados no bolso do mesmo agente.

O Ministério Público aponta que as condutas sob análise podem configurar crimes como corrupção ativa e passiva, além de prevaricação. O órgão ministerial destaca que a cadeia pública registrou um fluxo atípico de visitantes sem vínculo familiar com os custodiados, o que motivou a intensificação das fiscalizações nas rotinas administrativas e operacionais do local.

Por sua vez, a defesa do ex-vereador Milton Leite divulgou nota oficial negando veementemente qualquer tratamento diferenciado na prisão. Conforme o posicionamento dos advogados, o político está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais detentos da unidade prisional e cumpre rigorosamente as normas do estabelecimento.

A defesa também informou que ainda não teve acesso formal aos autos da investigação instaurada pelo Ministério Público nem aos elementos probatórios que a sustentam. Os representantes legais ressaltaram respeito ao trabalho dos órgãos de controle e colocaram o ex-vereador à inteira disposição para colaborar com os esclarecimentos necessários.

Milton Leite está preso preventivamente desde setembro, sob a acusação de envolvimento em um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital no sistema de transporte público da capital paulista. Ele nega todas as acusações e afirma que provará sua inocência no decorrer do processo judicial.

Fontes consultadas

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