Morgan Stanley aponta venda excessiva de ações do Bradesco e reforça compra
Para o banco internacional, correção recente nos papéis da instituição financeira descola dos fundamentos e cria oportunidade rara de investimento.
As ações preferenciais do Banco Bradesco (BBDC4) sofreram uma punição exagerada pelo mercado após a eleição presidencial, na avaliação do Morgan Stanley. Em relatório recente, a instituição financeira manteve a recomendação equivalente à compra para os recibos de ações negociados na Bolsa de Nova York, apontando que a desvalorização de 37% acumulada desde o segundo turno abriu um cenário incomum para aplicações, apesar do cenário macroeconômico desafiador enfrentado pelos bancos no país.
Apesar da recomendação positiva, o preço-alvo do ADR foi reduzido de US$ 5,50 para US$ 4,75, patamar que ainda representa um potencial de alta expressivo em relação ao último fechamento. A visão otimista contrasta com o movimento de outras grandes instituições, como Citi, JPMorgan e Itaú BBA, que rebaixaram recentemente suas recomendações para o papel devido a preocupações fiscais, juros elevados e perspectivas mais duras para o setor financeiro doméstico.
Para o Morgan Stanley, contudo, a intensidade dessa correção de mercado já se mostra desassociada dos fundamentos do Bradesco. Os analistas enfatizam que a instituição negocia a apenas 0,7 vez o seu valor patrimonial, patamar próximo ao mínimo da última década, mesmo entregando um retorno sobre o patrimônio de 16,6%. Historicamente, esse nível de rentabilidade justificaria múltiplos bem mais elevados para o banco.
O relatório aponta ainda que o desconto do Bradesco em relação ao Itaú Unibanco atingiu marcas recordes, alcançando 62% em termos de preço sobre valor patrimonial, o maior patamar em dez anos. De acordo com a casa de análise, essa discrepância não encontra respaldo proporcional na diferença real de rentabilidade entre as duas companhias, sugerindo que o mercado está precificando um cenário excessivamente pessimista.
Como contraponto, o banco recorda o período de recessão e crise política de 2015 e 2016. Naquela época, marcada por forte retração econômica e taxas elevadas de juros, o Bradesco chegou a negociar perto de uma vez o seu valor patrimonial, superando o múltiplo atualmente observado.
Além da avaliação de preço, o Morgan Stanley destaca a reestruturação operacional em andamento na empresa. A digitalização, o fechamento de agências físicas e a busca contínua por eficiência devem mitigar custos, enquanto a carteira de crédito adota um perfil mais conservador, priorizando linhas com garantias, como crédito consignado, financiamento de veículos e crédito imobiliário.
Em outra frente de atuação do grupo, o Bradesco BBI participou ativamente no mercado de capitais ao estruturar uma captação de R$ 700 milhões por meio de debêntures para a Corsan, empresa controlada pela Aegea Saneamento. A operação, realizada através do programa Eco Invest do Tesouro Nacional, tem como foco a expansão e a adaptação climática dos serviços de saneamento básico no Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, reforçando a atuação do conglomerado em grandes projetos de infraestrutura verde.
Fontes consultadas
- BBDC4: após vários cortes, Morgan vê venda excessiva em Bradesco e reforça compra infomoney.com.br
- Banco Bradesco (BOVESPA:BBDC4) Stock Fair Value Edges Lower After Cautious Analyst Revisions finance.yahoo.com
- Bank Bradesco SA ADR (BBD) morningstar.com
- Agenda de dividendos de novembro: Petrobras, Itaú e Bradesco pagam proventos investnews.com.br
- Via Eco Invest, Corsan capta para adaptar saneamento ao clima capitalreset.uol.com.br