Morre Julyana Barbosa, a Mulher Banana, pioneira trans do funk carioca
A artista de 49 anos foi encontrada sem vida em sua residência em Nova Iguaçu e sua trajetória foi marcada pela resistência e representatividade no cenário musical.
A cantora Julyana de Souza Pontes, conhecida artisticamente como Mulher Banana ou Garota X, morreu aos 49 anos na última sexta-feira (30), em sua residência localizada no bairro Engenho Pequeno, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A morte da artista, que foi uma das pioneiras da presença de mulheres trans no funk carioca e integrou a equipe Furacão 2000 nos anos 2000, foi confirmada por familiares.
Até a manhã deste sábado (31), a causa exata do falecimento ainda não havia sido divulgada, e o corpo permaneceu no Instituto Médico Legal (IML) enquanto parentes aguardavam a conclusão da perícia criminal. Informações sobre o velório e o sepultamento da cantora não foram repassadas até o momento.
A trajetória de Julyana no cenário musical teve início em uma rádio carioca com paródias de sucesso. Adotando inicialmente o nome Garota X em referência à apresentadora Xuxa, ela alcançou projeção nacional ao assinar com a Furacão 2000 em 2002. A estreia nos palcos da produtora, em 2003, ocorreu em meio a episódios de hostilidade do público devido à sua identidade de gênero.
O apelido que a consagrou veio com o lançamento da música "Mulher Banana", que surfou na onda das chamadas mulheres-fruta no início dos anos 2000. Além de sua música de maior marca registrada, a artista integrou seu repertório com faixas como "Assumida", "Mundo Gay", "Peitinho" e "Coraçãozão", utilizando as letras para abordar vivências da comunidade LGBTQIA+.
Ao longo da carreira, Julyana destacou-se por abrir espaço em um gênero musical historicamente marcado pela baixa representatividade. Em entrevista concedida no final de 2017, por ocasião de seus 15 anos de carreira, a funkeira definiu-se como precursora de um movimento transgênero na música, celebrando posteriormente parcerias como o lançamento da música "Tr4ve$ty" em 2023.
A vida da artista também registrou momentos de extrema violência. Em outubro de 2018, ela foi brutalmente agredida com socos, chutes e uma barra de ferro por um grupo de homens em Nova Iguaçu, episódio no qual sofreu ferimentos na cabeça e que teve repercussão nacional em meio a denúncias de ataques motivados por intolerância.
Fora dos palcos, Julyana mantinha uma faceta dedicada à causa animal. Ela abrigava e cuidava de diversos gatos abandonados em um espaço que carinhosamente denominava de santuário, atividade que frequentemente compartilhava em suas redes sociais.
Após a confirmação de seu falecimento, diversos nomes da música expressaram solidariedade e destacaram seu legado. A cantora Tati Quebra Barraco foi uma das primeiras a lamentar a perda nas redes sociais, classificando o ocorrido como uma grande perda para o mundo do funk e prestando condolências aos admiradores. A funkeira MC Xuxú também homenageou a colega, ressaltando a importância histórica de sua existência e irreverência para a resistência travesti no Brasil.
Fontes consultadas
- Morre Mulher Banana, pioneira trans do funk carioca e ex-integrante da Furacão 2000 - Verso - Diário do Nordeste diariodonordeste.verdesmares.com.br
- Morre Julyana Barbosa, a Mulher Banana do Furacão 2000 enfoco.com.br
- Morre Mulher Banana, veterana do funk e ex-Furacão 2000 metropoles.com
- Morre a cantora Julyana Barbosa, a Mulher Banana, ex-integrante da Furacão 2000 | TNOnline tnonline.uol.com.br
- Mulher Banana, ícone da Furacão 2000 e referência LGBTQIA+ no funk, é encontrada morta diariodorio.com