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Morre Maricarmen Abascal, símbolo da crise de habitação na Espanha

A idosa de 87 anos faleceu no hospital antes de conseguir retornar ao seu apartamento em Madri, após um despejo que gerou comoção nacional e crise política.

Por 3 min de leitura

Morre Maricarmen Abascal, símbolo da crise de habitação na Espanha
Morre Maricarmen Abascal, símbolo da crise de habitação na Espanha

Maricarmen Abascal, idosa de 87 anos cuja expulsão de seu apartamento em Madri mobilizou a Espanha e desencadeou uma profunda crise política, faleceu na última quarta-feira, aos 87 anos, em um hospital da capital espanhola. O falecimento foi confirmado por familiares, advogados e sindicatos de inquilinos, que lamentaram o desfecho trágico e apontaram que um acordo recente para garantir o seu retorno ao lar chegou tarde demais.

O caso que transformou Abascal no principal rosto da crise imobiliária ocorreu em 23 de setembro. Na ocasião, ela foi retirada de sua residência de longa data em uma maca e encaminhada a uma unidade hospitalar devido à sua saúde frágil, após o imóvel ser comprado por uma empresa imobiliária que elevou drasticamente o valor do aluguel. Imagens da ação policial e do despejo foram amplamente veiculadas, provocando revolta popular e manifestações em várias cidades espanholas.

Diante da forte pressão exercida por movimentos sociais e sindicatos, a proprietária e os representantes legais da idosa alcançaram um entendimento histórico que previa o seu retorno ao apartamento com um contrato de oito anos e aluguel compatível com a sua renda. Contudo, a assinatura formal do novo acordo ocorreria justamente no dia posterior à sua morte, frustrando as expectativas de apoiadores e familiares.

A notícia do falecimento intensificou os protestos e gerou forte comoção nas ruas de Madri e de Barcelona. Centenas de manifestantes realizaram vigílias com velas e minutos de silêncio em locais centrais, como a Puerta del Sol e a Plaça Catalunya. Gritos de protesto e palavras de ordem como "Maricarmen vive, a luta continua" ecoaram entre os ativistas, que transformaram a memória da idosa em um estandarte na luta por moradia digna.

A repercussão do caso de Abascal teve impactos diretos na dinâmica política do país. Pressionado pela intensificação dos protestos populares e pela rejeição de decretos emergenciais pelo Parlamento na semana passada, o primeiro-ministro Pedro Sánchez optou por dissolver a câmara e antecipar as eleições legislativas para o dia 29 de novembro.

O chefe de governo utilizou as redes sociais para manifestar solidariedade aos familiares e amigos da idosa, declarando pesar pela perda. Por sua vez, o líder da oposição conservadora, Alberto Núñez Feijóo, pediu respeito diante do ocorrido e apelou para que o episódio não seja explorado com fins partidários durante a campanha eleitoral.

Enquanto a classe política se movimenta para a disputa eleitoral de novembro, entidades sindicais e movimentos sociais mantêm o foco nas reivindicações estruturais. Diante de estatísticas que apontam custos elevados de locação em relação à média salarial do país e do impacto de fundos de investimento no mercado imobiliário, os principais sindicatos espanhóis convocaram uma greve geral para o dia 11 de novembro para exigir melhores salários e políticas habitacionais efetivas.

Fontes consultadas

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