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Crise de habitação na Espanha leva a convocação de greve geral

País europeu enfrentará paralisação nacional em novembro após queda de decretos e morte de idosa símbolo de despejos.

Por 3 min de leitura

Crise de habitação na Espanha leva a convocação de greve geral
Crise de habitação na Espanha leva a convocação de greve geral

As principais centrais sindicais da Espanha anunciaram a convocação de uma greve geral de 24 horas para o dia 11 de novembro, em protesto contra a grave crise habitacional que afeta o país. A decisão, que marca a primeira paralisação geral em território espanhol nos últimos 14 anos, ocorre em um momento de alta tensão política, a poucos dias do início da campanha para as eleições legislativas antecipadas marcadas pelo governo para o final de novembro.

A convocação foi articulada pelas centrais UGT e CCOO em resposta a um apelo de associações de inquilinos, que têm mobilizado milhares de cidadãos em protestos diários nas ruas desde o final de setembro. Os organizadores afirmam que o movimento busca reivindicar salários compatíveis com o custo da moradia. A decisão governamental de antecipar o pleito veio logo após o Parlamento derrubar pacotes de medidas habitacionais enviados pelo executivo socialista.

O estopim para a onda de indignação popular recente envolveu o caso de Maricarmen Abascal, uma mulher de 87 anos que se tornou o principal símbolo da luta pelo direito à moradia após ser despejada do apartamento onde residia há mais de sete décadas no bairro de Retiro, em Madri. A idosa, cuja família enfrentava disputas judiciais decorrentes de contratos antigos, acabou falecendo após semanas de hospitalização decorrente do estresse do processo de despejo.

O caso de Maricarmen gerou forte pressão midiática e social, resultando em acampamentos na Praça Porta do Sol e em manifestações por todo o país com o lema de que nenhuma outra pessoa deveria passar pela mesma situação. Embora um acordo tardio tenha sido firmado entre a defesa e a empresa detentora do imóvel para permitir o seu retorno com condições ajustadas aos seus rendimentos, a repercussão do caso impulsionou a mobilização coletiva que agora culmina na greve geral.

Enquanto os sindicatos defendem a legitimidade da paralisação, associações empresariais e partidos da oposição criticam severamente a iniciativa. Lideranças da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais e siglas como o Partido Popular e o Vox classificaram a greve como uma manobra de caráter político e eleitoral, argumentando que a mobilização atua em sintonia com os interesses do governo de Pedro Sánchez.

Em meio ao fogo cruzado político, o primeiro-ministro espanhol declarou que a paralisação afeta diretamente trabalhadores e trabalhadoras, ressaltando que cabe ao governo respeitar o direito constitucional à greve. A data escolhida antecede diretamente o período eleitoral decisivo, consolidando o tema da habitação como o centro do debate político nacional na Espanha.

Fontes consultadas

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