Sindicatos espanhóis convocam greve geral em meio à crise habitacional
Paralisação de 24 horas foi anunciada pela UGT e CCOO para o dia 11 de novembro, após rejeição de decretos no Parlamento e convocação de eleições antecipadas.
As principais centrais sindicais da Espanha, UGT e CCOO, anunciaram a convocação de uma greve geral de 24 horas para o dia 11 de novembro, em protesto contra a crise de habitação e a falta de salários compatíveis com o custo dos imóveis no país. O movimento ocorre em resposta ao apelo da Confederação de Sindicatos de Inquilinas e marca a primeira paralisação conjunta das duas organizações sindicais em 14 anos.
A decisão de avançar com a greve geral foi firmada após o Congresso espanhol rejeitar, na semana passada, dois decretos do governo que continham medidas para conter o aumento dos aluguéis e enfrentar os problemas de moradia. A rejeição parlamentar seguiu-se a uma onda de protestos de rua motivada pelo despejo de uma idosa de 87 anos em Madri, gerando manifestações diárias com milhares de participantes em várias cidades.
Enquanto fontes indicam que a data definitiva ainda será analisada em conjunto com organizações sociais e o Sindicato de Inquilinas, a iniciativa sindical defende salários que garantam o acesso a um bem essencial. Entre as propostas das centrais estão aumentos salariais na negociação coletiva, a criação de um parque público permanente de habitação protegida, limites para os preços das rendas e a aplicação efetiva da Lei pelo Direito à Habitação.
A convocação da paralisação gerou reações divergentes no cenário político e empresarial. Associações patronais, como a Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, e partidos da oposição, como o Partido Popular e o Vox, criticaram o calendário da greve por coincidir com a véspera da campanha para as eleições legislativas antecipadas, apontando motivações políticas e eleitorais na iniciativa.
A oposição também responsabilizou o atual governo pela situação, apontando a subida dos preços das casas após anos de gestões socialistas. Por outro lado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez declarou que o Executivo respeita o direito constitucional à greve e reconheceu que as dificuldades no setor habitacional afetam severamente os trabalhadores e suas famílias.
Em paralelo ao anúncio sindical, o cenário político espanhol sofreu uma reviravolta com a decisão de Pedro Sánchez de antecipar as eleições nacionais para 29 de novembro. O pleito, que inicialmente ocorreria apenas em 2027, surge como uma tentativa do governo de renovar o apoio parlamentar e obter uma maioria progressista sólida diante do avanço da extrema direita e do descontentamento popular.
Fontes consultadas
- Turismo de natureza ganha força como alternativa para desconectar crianças das telas fatopaulista.com.br
- Espanha terá greve geral pela habitação em 11 de novembro maisribatejo.pt
- Sindicatos espanhóis convocam greve geral para pelo direito à habitação jn.pt
- Sindicatos espanhóis convocam greve geral pelo direito à habitação noticiasaominuto.com
- Espanha convoca eleições antecipadas diante da crise habitacional | G1 g1.globo.com