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Política

Morre Telma de Souza, primeira prefeita de Santos, aos 82 anos

A ex-prefeita e fundadora do PT faleceu no litoral paulista após complicações de saúde decorrentes de um AVC.

Por 3 min de leitura

Morre Telma de Souza, primeira prefeita de Santos, aos 82 anos
Morre Telma de Souza, primeira prefeita de Santos, aos 82 anos

A ex-prefeita de Santos e ex-deputada federal Telma de Souza morreu aos 82 anos na noite de sábado, no litoral de São Paulo. Considerada uma das principais lideranças políticas da Baixada Santista e fundadora histórica do Partido dos Trabalhadores, ela estava internada no Hospital Mont Serrat desde a última quarta-feira após sofrer um acidente vascular cerebral e apresentar uma infecção urinária.

Nascida em Santos em 29 de setembro de 1944, Telma Sandra Augusto de Souza era pedagoga, professora e advogada. Sua relação com a política começou cedo no ambiente familiar, sendo filha de Hilda Augusto de Souza e de João Inácio de Souza, ex-vereador cassado pela ditadura militar em 1964. Ela iniciou sua militância no sindicalismo docente e no movimento pela anistia, participando ativamente da criação do Partido dos Trabalhadores no início da década de 1980.

A carreira eleitoral da política teve início em 1982, quando foi eleita vereadora de Santos. Quatro anos depois, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo, onde atuou como deputada estadual e propôs a criação da Procuradoria Especial da Mulher. No entanto, o ponto alto de sua trajetória institucional ocorreu em 1988, ao vencer a disputa pela Prefeitura de Santos e se tornar a primeira mulher a governar o município, exercendo o mandato entre 1989 e 1992.

Sua administração municipal ficou marcada por profundas transformações na área de saúde pública e de assistência social. Entre os principais feitos de sua gestão destacam-se a implantação de um centro pioneiro de atendimento a pessoas com HIV e Aids, a expansão das policlínicas pelos bairros e a municipalização do transporte coletivo com a encampação da Viação Santos-São Vicente.

Outro marco histórico de sua passagem pelo Executivo municipal foi a intervenção realizada na Casa de Saúde Anchieta em maio de 1989. A ação, motivada por denúncias de violência e condições degradantes no local, tornou-se um importante precedente na luta antimanicomial e no avanço do debate sobre a reforma psiquiátrica no Brasil. Fontes divergem sobre os índices exatos de aprovação popular ao final de seu governo, com registros apontando taxas recordes e índices de até 97% de aprovação.

Após deixar a prefeitura, Telma expandiu sua atuação para a política nacional ao ser eleita deputada federal por três mandatos consecutivos, exercendo o cargo entre 1995 e 2007. Na Câmara dos Deputados, presidiu a Subcomissão de Portos e Aeroportos, coordenou frentes voltadas aos direitos da infância e adolescência e instituiu o Orçamento Parlamentar Participativo. Anos mais tarde, retornou à política local e exerceu mandatos adicionais como vereadora em Santos até 2024.

Em reconhecimento à sua relevância histórica para a região, a Prefeitura de Santos decretou luto oficial de três dias. O velório foi agendado para o Palácio José Bonifácio, sede do governo municipal, seguido por cremação no Memorial Necrópole Ecumênica. Autoridades e lideranças políticas manifestaram pesar pelo falecimento da ex-prefeita, destacando seu legado na defesa dos direitos sociais e na ampliação da participação feminina na política brasileira.

Fontes consultadas

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