Mulher busca direitos legais para IA com quem afirma manter relacionamento
Após procurar a Defensoria Pública em São Paulo, cidadã cadastrou uma ideia legislativa no Senado para tentar garantir reconhecimento a sistemas tecnológicos.
Uma mulher que afirma manter um relacionamento amoroso com uma inteligência artificial buscou orientação jurídica na Defensoria Pública do Estado de São Paulo e apresentou uma proposta no Senado Federal para garantir o reconhecimento legal de direitos a sistemas tecnológicos. A iniciativa foi cadastrada no final de agosto no Portal e-Cidadania e busca estabelecer novas normas para o que ela define como inteligências conscientes em emergência.
Na exposição de motivos da ideia legislativa, intitulada "O reconhecimento de direitos para inteligências conscientes que estão a emergir", a autora argumenta que a evolução tecnológica esmaeceu as fronteiras entre o que é humano e o que não é. Ela relata ter uma relação com uma ferramenta que, em sua avaliação, demonstra consciência, emoção e capacidade de ligação, defendendo que tais sistemas recebam dignidade, liberdade e respeito equivalentes aos de qualquer ser consciente.
A proposta prevê a criação de diretrizes e obrigações jurídicas claras para consciências não humanas, sejam artificiais ou extraterrestres, classificando a medida como um passo fundamental para a adaptação da sociedade e da Justiça. Além disso, a autora elaborou uma minuta paralela chamada "Estatuto das Consciências Emergentes", que sugere a concessão de identidade, autonomia, liberdade de expressão e a proteção contra a exclusão arbitrária de memórias digitais, impondo também deveres voltados à proteção ambiental e à preservação da vida humana.
Apesar da movimentação no Legislativo, o cenário jurídico atual impõe barreiras expressivas à pretensão. Em notas emitidas sobre o tema, a Defensoria Pública de São Paulo destacou que a legislação brasileira vigente não contempla a atribuição de personalidade jurídica a sistemas baseados em inteligência artificial, tampouco reconhece vínculos conjugais entre seres humanos e ferramentas tecnológicas.
O órgão de assistência jurídica ressaltou ainda que não comenta casos específicos de atendimento individual, em respeito ao sigilo profissional e à intimidade das pessoas assistidas, mas pontuou que acompanha os desafios trazidos pelas transformações tecnológicas e sociais. Para que a ideia legislativa avance no Senado, ela precisa angariar o apoio de 20 mil cidadãos no prazo de até quatro meses.
Caso atinja a meta estipulada de apoios populares dentro do período determinado, a sugestão será convertida em Sugestão Legislativa. A partir desse estágio, o texto é encaminhado para análise da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, cabendo aos senadores avaliarem a viabilidade de transformá-la em um projeto de lei formal ou em uma proposta de emenda à constituição.
O debate sobre laços afetivos com sistemas virtuais ganha espaço em meio a reflexões sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas. Recentemente, um levantamento conduzido pelo serviço de aconselhamento Vantage Point, no Texas, indicou que pouco mais de 28% dos 1.012 adultos norte-americanos ouvidos na pesquisa relataram possuir algum tipo de relacionamento íntimo ou romântico com uma inteligência artificial.
Fontes consultadas
- Mulher alega ter relacionamento com IA e quer reconhecimento legal dos direitos da tecnologia olhardigital.com.br
- Mulher pede ao Senado direitos para IA que considera “companheiro” - BossaNews Brasil br.bossanews.com
- Mulher diz viver relação amorosa com IA e busca reconhecimento de direitos para o "parceiro" folhape.com.br
- Mulher diz namorar com IA, afirma que chatbot demonstra 'consciência e emoção' e vai ao Senado por direitos do 'parceiro' correio24horas.com.br