NASA avança em projetos para estabelecer base permanente no polo sul da Lua
Agência espacial seleciona investigações científicas e planeja aquisições de foguetes para viabilizar presença humana de longo prazo no satélite natural.
A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA) intensificou os preparativos para a construção de uma base permanente no polo sul da Lua, estimada em 30 bilhões de dólares. A estratégia envolve a busca por abrigos subterrâneos e recursos hídricos, além de planos para a aquisição em larga escala de veículos lançadores para transportar dezenas de toneladas de equipamentos até o final da década.
Para estruturar o guia de sobrevivência interplanetária, a agência espacial selecionou três novas investigações por meio do programa Payloads and Research Investigations on the Surface of the Moon (PRISM). O primeiro projeto, batizado de LEMS-SP, instalará uma estação autônoma para monitorar impactos de micrometeoroides, gases voláteis e atividades sísmicas na região sul lunar.
A segunda investigação, denominada GIMLI, examinará o Poço de Marius Hills com o objetivo de verificar se a abertura se conecta a extensos tubos de lava subterrâneos. Caso a existência desses túneis seja confirmada, eles poderão funcionar como abrigos naturais para os astronautas, oferecendo proteção contra variações térmicas extremas e radiação ionizante.
O terceiro eixo de estudo utilizará a Câmera de Imagem de Profundidade com Óptica Espectral e Colorida (DISCO) para mapear depósitos de água congelada preservados em microarmadilhas frias. Encontrar gelo acessível na superfície lunar é considerado fundamental para reduzir os custos logísticos e permitir a produção local de água, oxigênio e hidrogênio para futuras missões.
Em paralelo aos estudos científicos, a NASA prepara uma compra massiva de foguetes para garantir a capacidade de transporte necessária. Carlos García-Galán, gerente do programa de base lunar da agência, afirmou que a estratégia busca assegurar flexibilidade e alternativa diante da crescente demanda por lançamentos comerciais no setor espacial norte-americano.
O cronograma da agência prevê o envio de módulos de pouso e veículos de exploração (rovers) para identificar locais e recursos até 2028. A partir de 2029, a expectativa é transportar até 60 toneladas métricas de equipamentos por ano, incluindo sistemas de energia e estruturas habitáveis para consolidar a infraestrutura da base lunar.
A iniciativa da NASA ocorre em meio a uma disputa geopolítica mais ampla pela exploração do polo sul lunar, que também envolve projetos de reatores nucleares e missões planejadas por potências como Rússia e China. A experiência adquirida na Lua servirá, segundo a agência, como preparação fundamental para futuras viagens tripuladas rumo ao planeta Marte.
Fontes consultadas
- Dez anos após anúncio, Starship ainda enfrenta desafios para chegar a Marte olhardigital.com.br
- Nasa está procurando crateras na Lua para construir base subterrânea revistagalileu.globo.com
- Superpotências correm para colocar reatores nucleares na Lua estadao.com.br
- Estados Unidos, Rússia e China disputam a instalação de reatores nucleares na Lua; cientistas apontam riscos epocanegocios.globo.com
- Nasa planeja compra de foguetes para construir base de US$ 30 bilhões na Lua exame.com