Novo estudo aponta que retatrutida supera emagrecimento do Ozempic
Pesquisa clínica de Fase 3 revelou reduções expressivas de peso e glicemia em adultos com diabetes tipo 2 tratados com o medicamento experimental.
A retatrutida, um medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, demonstrou resultados superiores aos da semaglutida — princípio ativo conhecido comercialmente como Ozempic — na redução do peso corporal e da glicemia em adultos diagnosticados com diabetes tipo 2. Os dados preliminares do estudo clínico de Fase 3, denominado Transcend-T2D-2, foram divulgados pela fabricante e apontam que os participantes tratados com o novo composto perderam, em média, até 21,5 kg ao longo de 80 semanas.
De acordo com a pesquisa, o grupo que recebeu doses semanais de 12 mg de retatrutida registrou uma perda média de 21,5 kg, o equivalente a 20,9% do peso corporal inicial. Já os participantes que utilizaram a dose de 9 mg eliminaram, em média, 20,1 kg, ou 19,5% do peso corporal. Em comparação, os indivíduos tratados com semaglutida injetável na dose de 2 mg apresentaram uma redução média de 9,5 kg, correspondente a 9,4% do peso que tinham no início da avaliação.
O estudo também avaliou o controle glicêmico por meio do exame de hemoglobina glicada (HbA1C), que mede os níveis médios de glicose no sangue nos meses anteriores. Os participantes que receberam retatrutida obtiveram uma queda média de 2,2 pontos percentuais no indicador. No grupo tratado com semaglutida, a redução foi de 1,8 ponto percentual. Além disso, a retatrutida apresentou desempenho superior em determinados fatores de risco cardiovascular, como colesterol não HDL, triglicerídeos e pressão arterial sistólica.
Segundo Kenneth Custer, vice-presidente executivo e presidente de Saúde Cardiometabólica da Eli Lilly, os dados reforçam o potencial da molécula em desenvolvimento. "Com base nesses resultados e nos demais dados do nosso programa de Fase 3, acreditamos que a retatrutida, se aprovada, poderia mudar o paradigma de tratamento para pessoas que vivem com diabetes tipo 2, obesidade e condições cardiometabólicas associadas", afirmou o executivo por meio de nota oficial.
No quesito segurança e tolerabilidade, o estudo mapeou os eventos adversos mais comuns entre os voluntários, que incluíram diarreia, náusea, constipação, vômito e dispepsia. A diarreia foi relatada por 28,3% dos pacientes na dose de 9 mg de retatrutida e por 32,7% na dose de 12 mg, enquanto no grupo da semaglutida o índice foi de 26,4%. A farmacêutica informou que a maioria dos efeitos colaterais apresentou intensidade leve a moderada e regrediu durante o tratamento, embora as taxas de descontinuação tenham sido de 4,8% e 7,9% com as doses de retatrutida, frente a 2,7% com a terapia de referência.
O Transcend-T2D-2 é o sexto estudo de Fase 3 em que a molécula demonstra eficácia expressiva em condições relacionadas ao metabolismo. A empresa ressalta que os resultados detalhados serão apresentados em futuros congressos médicos e publicados em revistas científicas com revisão por pares. O medicamento permanece em fase de investigação clínica e ainda não possui aprovação regulatória definitiva para uso comercial em larga escala.
Fontes consultadas
- Retatrutida: nova caneta emagrecedora experimental leva à perda de 21,5 kg e supera semaglutida correio24horas.com.br
- Ozempic Face: por que o emagrecimento pode mudar a aparência do rosto? cotiaecia.com.br
- Retatrutida supera Ozempic em perda de peso e controle da diabetes em estudo francesnews.com.br
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