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ONU reduz ajuda alimentar em Gaza e corta 500 mil pessoas da assistência

Falta de recursos financeiros obriga Programa Mundial de Alimentos a diminuir o alcance e o volume das doações no enclave palestino.

Por 3 min de leitura

ONU reduz ajuda alimentar em Gaza e corta 500 mil pessoas da assistência
ONU reduz ajuda alimentar em Gaza e corta 500 mil pessoas da assistência

O Programa Mundial de Alimentos (PAM), agência vinculada à Organização das Nações Unidas, anunciou nesta segunda-feira que será obrigado a cortar a assistência alimentar mensal de cerca de 500 mil pessoas na Faixa de Gaza devido à escassez de financiamento. Com a medida drástica, o número de beneficiários atendidos mensalmente passará de 1,6 milhão para 1,1 milhão de palestinos, em um cenário onde a maioria da população do enclave ainda depende de ajuda humanitária para sobreviver.

Segundo Shaun Hughes, diretor do PAM para os territórios palestinos, a redução na distribuição não ocorre por falta de acesso humanitário para a entrega dos mantimentos, mas exclusivamente pela drástica queda nas receitas da instituição. O dirigente declarou que a agência precisa urgentemente de cerca de 450 milhões de dólares para manter suas operações em Gaza e na Cisjordânia ao longo dos próximos seis meses, alertando que a comunidade internacional não deve desviar o olhar da crise.

As famílias que conseguirem se manter no programa de assistência alimentar também enfrentarão cortes expressivos no volume recebido. A partir de agora, o auxílio passará a entregar apenas uma cesta básica por família, em vez de duas, acompanhada de um saco menor de farinha de trigo. Além disso, o número de refeições quentes distribuídas diariamente cairá de 250 mil para 150 mil por dia.

O auxílio financeiro voltado para a compra de alimentos nos mercados locais também foi severamente reduzido. Anteriormente, 75 mil famílias recebiam o valor de 1.250 shekels, que já havia sido limitado para 750 shekels em julho. As restrições orçamentárias afetam ainda a Cisjordânia, onde a agência já havia cortado pela metade o número de pessoas atendidas em setembro, reduzindo o total de 400 mil para 200 mil beneficiários.

De acordo com avaliações recentes, cerca de 1,4 milhão de pessoas na Faixa de Gaza continuam enfrentando quadros de insegurança alimentar aguda. Embora o sistema integrado de classificação da segurança alimentar da ONU tenha declarado estado de fome no território em agosto de 2025 — uma acusação que foi rejeitada por Israel —, o quadro foi reavaliado em dezembro do mesmo ano, quando a ONU informou que a fome havia cessado graças ao cessar-fogo e ao incremento da ajuda.

Apesar da trégua iniciada em outubro de 2025, Hughes ressaltou que as condições de vida no enclave continuam extremamente difíceis, com ataques aéreos diários, deslocamentos contínuos da população e a ausência de moradias permanentes. O PAM alertou que a situação pode se agravamento ainda mais com a chegada iminente do inverno, período em que as necessidades alimentares da população vulnerável tendem a aumentar.

Fontes consultadas

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