Israel realiza primeiras eleições desde ataques do Hamas em cenário acirrado
País vai às urnas nesta terça-feira sem previsão de maioria absoluta para o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou para a oposição.
Israel realizou, nesta terça-feira, as primeiras eleições desde os atentados terroristas que resultaram em 1,2 mil mortes três anos atrás. As pesquisas de boca de urna divulgadas indicam que nem o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, nem os blocos de oposição conseguirão alcançar a maioria necessária para governar sozinhos.
O pleito coloca à prova o governo de Benjamin Netanyahu, após os ataques de 7 de outubro de 2023 que deram início ao conflito na Faixa de Gaza. No início do dia, familiares de vítimas do massacre exigiram investigações sobre falhas de segurança que permitiram a invasão. O voto no país não é obrigatório e os eleitores votam em listas partidárias para o parlamento, o Knesset, localizado em Jerusalém.
O parlamento israelense possui 120 cadeiras e, devido à divisão histórica, nenhum partido jamais conquistou a maioria absoluta sozinho, tornando a formação de coalizões indispensável. Partidos menores que superam a cláusula de barreira costumam desempenhar papéis decisivos nas negociações para a composição do governo.
Líder do Likud, Benjamin Netanyahu busca o seu sétimo mandato como primeiro-ministro. Ele conta com o apoio de siglas ultraortodoxas e de extrema-direita, além de eleitores que defendem a continuidade de sua gestão por considerá-lo apto a enfrentar ameaças externas e manter a aliança com os Estados Unidos.
Do outro lado, o principal oponente de Netanyahu é Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas. Eisenkot perdeu familiares na guerra em Gaza e é visto por seus apoiadores como uma figura popular capaz de promover mudanças na administração pública e na condução do país.
A disputa eleitoral é marcada por discussões sobre o custo de vida, a independência do Poder Judiciário, a isenção de judeus ortodoxos do serviço militar e, principalmente, a segurança nacional em meio aos confrontos históricos contra o Irã e grupos extremistas.
De acordo com João Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv, o pleito representa um dos momentos mais importantes das últimas décadas no país, polarizando a continuidade da crise bélica e o esforço para solucionar os problemas inaugurados em outubro de 2023.