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Política

Eleições em Israel terminam sem maioria clara e definição pode demorar

Sondagens e apuração parcial indicam que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o rival Gadi Eisenkot atingiram o número necessário de assentos no parlamento.

Por 3 min de leitura

Eleições em Israel terminam sem maioria clara e definição pode demorar
Eleições em Israel terminam sem maioria clara e definição pode demorar

As eleições legislativas realizadas em Israel não apontaram um vencedor claro, deixando o futuro político do país incerto após o fechamento das urnas. De acordo com projeções da imprensa local e dados parciais divulgados pelo Comitê Central Eleitoral, que já contabilizou cerca de 76,4% das urnas até o final da madrugada, nem o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o seu principal opositor, Gadi Eisenkot, conseguiram alcançar a maioria absoluta de 61 lugares necessária para formar um governo no parlamento de 120 assentos, conhecido como Knesset.

Com a apuração em andamento, as estimativas iniciais apontam que o bloco liderado por Netanyahu e pelo partido Likud oscila entre 54 e 55 cadeiras, registrando uma retração em relação à legislatura anterior. Apesar de o Likud se manter como a maior legenda isolada, a política israelense depende historicamente da capacidade de negociar e estruturar coligações partidárias para governar.

Do outro lado do espectro político, a oposição liderada por Gadi Eisenkot e pelo partido Yashar apresenta um cenário complexo. Embora os partidos opositores somem uma maioria potencial em projeções gerais, o grupo é altamente fragmentado entre correntes de direita, centro e esquerda, além de divisões entre legendas judaicas e árabes. O partido de Eisenkot projeta conquistar 21 assentos, mas qualquer caminho viável para o poder exigiria alianças delicadas.

A participação eleitoral expressiva, que alcançou pelo menos 77,7% — a maior taxa registrada desde 1999 —, foi marcada por um forte engajamento da população árabe, que representa cerca de 20% da população do país. Esse contingente foi impulsionado pelo desejo de barrar a coligação de direita de Netanyahu, especialmente ministros de linha dura. Líderes árabes classificaram o resultado como histórico, ressaltando que a alta adesão eleitoral demonstrou força política na região.

Apesar de a forte participação árabe ter freado as pretensões de Netanyahu, ela também cria obstáculos para Eisenkot. O líder oposicionista estabeleceu precondições rígidas para compor o governo, como o reconhecimento de Israel como Estado judeu e a classificação do Hamas como organização terrorista, exigências que encontram resistência entre parlamentares árabes e aliados de centro-direita que descartam governar com apoio árabe.

Diante do impasse, o processo político agora avança para as etapas institucionais sob a supervisão do presidente de Israel, Isaac Herzog. Assim que os resultados oficiais forem finalizados e certificados, Herzog conduzirá uma série de consultas com os representantes de todos os partidos eleitos no Knesset.

Com base nas recomendações recebidas dos partidos, o presidente indicará um candidato encarregado de tentar formar um governo no prazo inicial de 28 dias, prorrogable por mais 14 dias. Caso o designado falhe, a missão pode ser repassada a outro político ou, se persistir a falta de consenso, o país poderá ser conduzido a uma nova convocação de eleições gerais.

Fontes consultadas

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