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Política

Eleições em Israel terminam sem vencedor claro e geram impasse político

Pesquisas de boca de urna indicam cenário de empate técnico e participação recorde dos eleitores na primeira votação desde os ataques de outubro de 2023.

Por 3 min de leitura

Eleições em Israel terminam sem vencedor claro e geram impasse político
Eleições em Israel terminam sem vencedor claro e geram impasse político

As eleições parlamentares realizadas nesta terça-feira em Israel terminaram sem um vencedor claro, deixando o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e seu principal opositor, Gadi Eisenkot, sem um caminho evidente para formar um governo. As pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais redes de televisão do país apontam um cenário de impasse, com ambos os blocos ficando abaixo da maioria necessária no Parlamento, conhecido como Knesset, que exige pelo menos 61 dos 120 assentos para garantir o controle governamental.

O pleito marcou a primeira ida dos israelenses às urnas desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, um evento que desencadeou uma série de conflitos armados envolvendo a Faixa de Gaza, o Líbano e o Irã. A votação registrou um comparecimento histórico, alcançando 74,3% dos eleitores qualificados até as 20h, a taxa mais alta para o horário em décadas. Analistas apontam que a alta participação refletiu a profunda polarização e o trauma vivido pela sociedade israelense durante o período de guerra.

Do lado conservador, Netanyahu buscou consolidar apoio apresentando-se como o líder mais experiente para lidar com a segurança nacional e destacando sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, o partido Likud, liderado por ele, enfrenta o desafio de manter sua base em um parlamento fragmentado, enquanto lidava com uma participação eleitoral inferior à média nacional em redutos tradicionais de apoio ao atual premiê.

O principal adversário de Netanyahu é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e fundador do partido Yashar. Eisenkot centrou sua campanha na promessa de responsabilização pelas falhas de segurança que permitiram os ataques do Hamas e na formação de uma comissão independente para investigar os acontecimentos. Ele conta com o apoio de uma coalizão de partidos de centro e direita, além de tentar atrair novos eleitores que buscam uma mudança na condução política do país.

Um fator determinante para o resultado final pode ser o desempenho dos partidos de maioria árabe e palestinos com cidadania israelense, que registraram um aumento expressivo no comparecimento às urnas. Lideranças políticas árabes destacaram a importância da participação da minoria para influenciar a configuração de um governo alternativo, embora alianças formais com a oposição permaneçam complexas e controversas no espectro político judaico.

As projeções iniciais indicam que o bloco de Netanyahu e a coalizão oposicionista liderada por Eisenkot deverão negociar intensamente com partidos menores e não alinhados para tentar viabilizar uma maioria parlamentar. Caso nenhum dos lados consiga formar uma coalizão viável após a apuração oficial, o atual gabinete poderá permanecer no cargo de forma interina até que novos desdobramentos políticos ocorram.

O processo de apuração dos votos segue em andamento com contagem manual nas seções eleitorais antes do registro eletrônico em centros regionais, com a divulgação dos resultados oficiais prevista para os próximos dias. Após a publicação formal, o presidente de Israel consultará os líderes partidários para indicar o candidato mais apto a iniciar as negociações para a formação do novo governo.

Fontes consultadas

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