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Política

Operador ofereceu R$ 2 bilhões da Previ a Daniel Vorcaro, aponta revista

Mensagens indicam articulação para facilitar captação de recursos do Banco Master em fundos de pensão estatais.

Por 3 min de leitura

Operador ofereceu R$ 2 bilhões da Previ a Daniel Vorcaro, aponta revista
Operador ofereceu R$ 2 bilhões da Previ a Daniel Vorcaro, aponta revista

No final de 2023, o operador financeiro Hamilton Buselin, ligado a um lobista do grupo do ministro Alexandre Padilha, ofereceu ao banqueiro Daniel Vorcaro acesso a uma operação de captação de 2 bilhões de reais da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A informação foi divulgada pelo jornalismo da revista Veja e repercutida por outros veículos, detalhando as tratativas para aproximar o Banco Master da cúpula do fundo.

De acordo com as mensagens interceptadas e divulgadas, Buselin afirmou que a Previ possuía o montante liberado para a aquisição de letras financeiras e sugeriu que o processo contaria com uma encenação para legitimar o interesse do Banco Master. O operador indicou que a direção da Previ estaria alinhada para receber a proposta de forma direta, sem a necessidade de intermediários tradicionais.

O plano relatado pelo operador previa que o Banco Master demonstrasse interesse na captação para que uma reunião formal fosse agendada com a diretoria da entidade. "A gente pode patrocinar essa entrada. É por isso que eles querem fazer a visita pessoalmente", disse Buselin em trecho das mensagens atribuídas a ele.

Além do fundo dos aposentados do Banco do Brasil, as investigações e propostas de delação indicam que o grupo atuou para aproximar o banqueiro Daniel Vorcaro de dirigentes de fundos de previdência de outras estatais, como a Caixa Econômica Federal, a Petrobras e os Correios. Os encontros teriam ocorrido inclusive nas dependências do Palácio do Planalto.

O operador também garantiu que havia instruções internas para facilitar o fluxo das negociações. Segundo as mensagens, o esquema já contaria com o respaldo necessário para que os trâmites ocorressem sem entraves burocráticos. "As pessoas no Banco do Brasil já estão instruídas a esperar e receber o que a gente encaminhar. A coisa já está totalmente montada", afirmou o intermediário.

Apesar das tratativas detalhadas nas mensagens, os investimentos pretendidos pelo Banco Master não foram concretizados. A proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro acabou rejeitada pela Procuradoria-Geral da República por falta de provas, e o plano foi interrompido após o vazamento das informações para a imprensa em meados de 2024.

Em notas oficiais enviadas às redações, o Banco do Brasil e a Previ repudiaram veementemente as declarações atribuídas a terceiros. As instituições afirmaram que não possuem qualquer relação comercial com o Banco Master, negaram a existência de funcionários instruídos a favorecer negociações e reforçaram que seguem rigorosos critérios de governança e compliance.

Por sua vez, o ministro Alexandre Padilha e os demais citados nas investigações negaram categoricamente qualquer envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, bem como a atuação em favor do Banco Master ou o recebimento de propinas. O caso segue sob análise das autoridades competentes.

Fontes consultadas

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