Pesquisa Datafolha aponta apoio de eleitores a reformas no Supremo Tribunal Federal
Levantamento indica que a maioria dos brasileiros defende mudanças no funcionamento da Corte, independentemente da preferência política.
Uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha revelou que a maioria dos eleitores brasileiros, tanto os que apoiam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto os que votam em Flávio Bolsonaro (PL), defende a implementação de reformas no Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento, conduzido nos dias 13 e 14 de outubro de 2026, ouviu 2.520 pessoas em 153 municípios e apresenta uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
De acordo com os dados, 59% dos entrevistados concordam que os ministros do STF deveriam cumprir mandatos, em vez de ocuparem os cargos até a aposentadoria compulsória aos 75 anos. Além disso, 65% dos participantes apoiam o fim das decisões monocráticas em temas relevantes, enquanto 52% defendem que casos envolvendo pessoas com foro especial sejam julgados inicialmente em instâncias inferiores da Justiça.
Ao analisar a preferência dos eleitores dos dois principais candidatos à presidência, o estudo aponta pontos de convergência. No que diz respeito ao fim das decisões monocráticas, 66% dos apoiadores de Lula e 64% dos eleitores de Flávio Bolsonaro são favoráveis à mudança. Em relação ao foro especial, o apoio é de 51% entre os lulistas e 54% entre os bolsonaristas.
A maior divergência entre os grupos ocorre sobre a instituição de mandatos para os magistrados. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 65% apoiam a medida, enquanto, entre os eleitores de Lula, o índice de aprovação é de 54%. O tema das reformas na Corte ganhou destaque no debate público em meio à crise recente envolvendo o Supremo e o Banco Master, que também repercutiu no Senado com discussões sobre possíveis pedidos de impeachment.
Além das reformas no Judiciário, a pesquisa investigou a percepção da população sobre o ambiente político nacional. Segundo o Datafolha, 78% dos brasileiros acreditam que o país vive um cenário de polarização, com a sociedade dividida em grupos de opiniões opostas. Apenas 17% dos entrevistados consideram que existe um clima de harmonia e respeito mútuo entre pessoas com visões divergentes.
A percepção de divisão política é sentida de forma distinta conforme o perfil do eleitor. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 81% identificam o país como polarizado, enquanto entre os eleitores de Lula o índice é de 75%. O sentimento de polarização é ainda mais acentuado entre eleitores com maior nível de escolaridade e renda, atingindo 93% entre aqueles com ensino superior e 87% entre os que possuem rendimentos acima de cinco salários mínimos.
O levantamento também aponta que a sensação de divisão é mais forte entre os jovens. Na faixa etária de 16 a 24 anos, 85% dos entrevistados afirmam que o Brasil está politicamente dividido. Regionalmente, o Sudeste lidera a percepção de polarização, com 84% das respostas, enquanto o Nordeste apresenta o menor índice, com 69%.