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Política

Queixas contra Meta por bloqueios crescem 585% em ano eleitoral

Plataforma federal registrou mais de 73 mil reclamações por suspensões indevidas de contas no Facebook e Instagram entre janeiro e setembro de 2026.

Por 3 min de leitura

Queixas contra Meta por bloqueios crescem 585% em ano eleitoral
Queixas contra Meta por bloqueios crescem 585% em ano eleitoral

O volume de reclamações referentes à suspensão ou desativação de perfis nas redes sociais Facebook e Instagram disparou no Brasil em 2026. Conforme dados da plataforma consumidor.gov.br, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o número de queixas chegou a 73,3 mil entre os meses de janeiro e setembro deste ano.

Esse montante representa um salto expressivo de 585% em comparação a todo o ano anterior e responde por mais de 65% de todas as ocorrências registradas contra a Meta, empresa responsável pelas aplicações, ao longo do período. Os registros de contestações vêm apresentando alta contínua desde 2021.

Um levantamento divulgado pelo UOL aponta que aproximadamente 48% dos usuários que formalizaram reclamações têm entre 21 e 30 anos de idade. Além disso, cerca de 90% dos afetados relataram ter buscado o suporte direto da empresa tecnológica antes de formalizarem a queixa no canal oficial do governo federal.

Nos últimos meses, as denúncias passaram a abranger não apenas perfis com atuação política, mas também usuários comuns, com relatos de perda de alcance, quedas abruptas de engajamento e banimentos definitivos. Entre os casos documentados está o de Maria Eduarda Peres, administradora de uma página dedicada à artista Sabrina Carpenter, que teve a conta derrubada após publicações relacionadas à campanha presidencial.

Segundo o relato da administradora, publicações com conteúdos de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sumiram antes da exclusão total da página. “No dia da eleição, começamos a postar e repostar stories de uma 'colinha' que fizemos com o 13. Alguns caíram sem motivo algum e, no dia seguinte, a conta já não existia mais”, afirmou, destacando que o perfil não pôde ser recuperado.

Entidades de monitoramento também registraram um aumento nas restrições digitais. A organização CTRL+Z contabilizou quase 1,2 mil casos de restrições em plataformas como Facebook, Instagram, X e WhatsApp. Deste total, cerca de um terço envolve redução de visibilidade, enquanto 13% consistem em banimentos definitivos de contas pertencentes a cidadãos comuns, influenciadores, comunicadores e movimentos sociais.

O cenário gerou debates no âmbito político e eleitoral. Representantes da campanha de Lula apresentaram a missões internacionais de observação do Tribunal Superior Eleitoral relatos sobre supostas falhas e tratamento desigual nas plataformas. Mensagens internas da Meta apontadas em relatórios indicaram restrições que afetaram contas ligadas ao atual presidente e a promoção algorítmica de concorrentes, o que gerou questionamentos legais.

Por sua vez, a Meta tem negado veementemente qualquer tipo de favorecimento político ou interferência ideológica nos processos eleitorais. Em posicionamento oficial, a empresa declarou que suas diretrizes e sistemas de moderação são aplicados de maneira uniforme para todos os usuários, sem distinção de posicionamento político ou ideológico.

Fontes consultadas

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