Pular para o conteúdo
Mundo

Rússia encerra atividades do último jornal independente após pressão

A publicação Novaya Gazeta foi forçada a fechar as portas depois de três décadas de atuação crítica e investigativa.

Por 2 min de leitura

Rússia encerra atividades do último jornal independente após pressão
Rússia encerra atividades do último jornal independente após pressão

O governo do presidente russo Vladimir Putin determinou o encerramento das atividades do Novaya Gazeta, considerado o último jornal independente remanescente na Rússia, após 33 anos de história. A decisão ocorre em meio a uma escalada de restrições à imprensa e oposição no país, marcando o fim de uma das principais vozes de jornalismo investigativo e crítico aos assuntos políticos e sociais russos.

Segundo declaração em vídeo do editor-in-chefe Sergei Sokolov, a equipe editorial foi forçada a interromper os trabalhos pelas autoridades e serviços especiais russos. O jornal já havia sido rotulado como agente estrangeiro por Moscou e enfrentava investigações, além do cerco a jornalistas e editores. A sede do veículo em Moscou, que abrigava um museu em homenagem à repórter assassinada Anna Politkovskaya, teve suas luzes apagadas e servidores desligados.

Fundado em 1993, o Novaya Gazeta havia suspendido sua edição impressa em 2022, logo após a deflagração do conflito na Ucrânia. Uma edição europeia chegou a ser lançada na Letônia para escapar da censura, mas o site também acabou bloqueado em território russo. Desde março de 2022, com a aprovação de leis que criminalizam a divulgação de informações consideradas falsas sobre os militares russos, pelo menos 30 veículos de imprensa independentes foram forçados a fechar no país.

O ex-editor do jornal e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Dmitry Muratov, lamentou o fim da publicação e criticou duramente a situação da liberdade de expressão no país. "Nós não morremos, eles nos mataram, junto com a constituição", afirmou Muratov, destacando que a redação funcionava como uma cidade própria que agora foi destruída.

Paralelamente aos desdobramentos internos na Rússia, o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, adotou medidas que geram repercussão internacional ao suspender sanções contra o combustível russo para aliviar o mercado norte-americano. A decisão gerou atritos e debates sobre a postura em relação ao Kremlin.

Nesse contexto, autoridades do Pentágono, incluindo o chefe de política Elbridge Colby, teriam instado aliados europeus, especialmente países bálticos como Lituânia, Letônia e Estônia, a moderarem o tom e reduzirem críticas públicas diretas ao regime de Vladimir Putin, sob o argumento de que declarações mais duras poderiam comprometer a segurança regional e exacerbar tensões geopolíticas.

Fontes consultadas

Leia também