Taxas do Tesouro Direto caem com força após novas pesquisas eleitorais
Movimento reflete o otimismo dos investidores locais diante da corrida presidencial e o comportamento dos juros futuros.
As taxas dos títulos prefixados do Tesouro Direto registraram uma forte queda nesta terça-feira, devolvendo integralmente os ganhos acumulados ao longo do pregão anterior. O recuo foi puxado pela repercussão de novas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo, a cinco dias do pleito que definirá o futuro chefe do Executivo.
O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, encerrou as negociações da tarde cotado a 12,63% ao ano, uma retração de 20 pontos-base em relação ao fechamento da véspera, quando marcava 12,83%. Outros vencimentos também apresentaram baixas expressivas, como o Prefixado 2032, cujos rendimentos passaram de 13,04% para 12,81%, acumulando a maior queda do dia entre os papéis prefixados.
Entre os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 liderou o movimento de baixa ao recuar 11 pontos-base, passando de IPCA mais 6,86% para IPCA mais 6,75%. Apenas o IPCA+ 2050 apresentou comportamento ligeiramente distinto, voltando a subir durante o período da tarde após registrar quedas pontuais na abertura do mercado.
O principal direcionador das expectativas no cenário doméstico continua sendo a corrida eleitoral para a Presidência da República. Investidores acompanham com atenção os levantamentos divulgados por institutos de pesquisa, que mantêm a vantagem numérica de Flávio Bolsonaro frente a Luiz Inácio Lula da Silva, alimentando apostas em uma possível alternância de poder.
Analistas do mercado financeiro apontam que a percepção de que o governo atual dispõe de pouco tempo para reverter o cenário nas urnas, somada à ausência de grandes fatos novos capazes de alterar drasticamente as intenções de voto, estimulou a tomada de risco por parte dos agentes locais e impulsionou os ativos brasileiros.
No exterior, o mercado operou sob a influência da volatilidade das cotações do petróleo. Após atingir o maior nível em cinco meses no período da manhã devido a tensionamentos geopolíticos envolvendo o Oriente Médio, a commodity virou para o campo negativo à tarde, o que colaborou para aliviar a pressão sobre os juros futuros e os rendimentos de títulos soberanos no exterior.
O reflexo do otimismo também foi observado no mercado de juros futuros e na bolsa de valores brasileira. O Ibovespa fechou o dia em alta impulsionado pelo desempenho dos setores de varejo e bancário, enquanto a moeda norte-americana registrou desvalorização frente ao real, consolidando um pregão amplamente positivo para a economia nacional.