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Economia

Tesouro Direto dispara e IPCA+ supera 8% após reeleição de Lula

Títulos públicos registraram forte volatilidade e leilões foram suspensos pelo Tesouro Nacional.

Por 3 min de leitura

Tesouro Direto dispara e IPCA+ supera 8% após reeleição de Lula
Tesouro Direto dispara e IPCA+ supera 8% após reeleição de Lula

As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto abriram em disparada nesta segunda-feira, logo após o resultado do segundo turno que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento de forte instabilidade nos mercados financeiros levou à paralisação temporária das negociações de diversos papéis na plataforma digital e ao cancelamento dos leilões institucionais previstos para a semana pelo Tesouro Nacional.

Antes da interrupção das operações, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 registrou alta de 1,38 ponto percentual, alcançando uma taxa de 8,10%. Outros papéis indexados à inflação com prazos mais longos, para 2040 e 2050, também avançaram para 7,71% e 7,64%, respectivamente. Na mesma sessão, os títulos prefixados superaram o patamar de 15% ao ano, atingindo máximas históricas na série iniciada no ano passado.

A disparada nas taxas de juros provoca o efeito conhecido como marcação a mercado, fazendo com que o preço dos títulos já existentes na carteira dos investidores recupere perdas expressivas no curto prazo. No entanto, especialistas reforçam que o prejuízo financeiro só se concretiza caso o investidor decida vender os papéis de forma antecipada. Aqueles que mantiverem os investimentos até a data de vencimento continuarão a receber exatamente a rentabilidade contratada no momento da compra.

O Tesouro Nacional informou que a suspensão dos leilões programados para esta semana atinge apenas o mercado institucional, servindo como medida de gestão da dívida pública para evitar custos excessivos em um cenário de alta volatilidade. A emissão de Letras Financeiras do Tesouro, atreladas à variação da Selic, foi mantida sem alterações. A B3 também adotou medidas excepcionais e ampliou os limites de oscilação para contratos futuros para conter o impacto das turbulências.

No âmbito macroeconômico, analistas do mercado financeiro avaliam que o resultado eleitoral altera as expectativas fiscais, apontando para uma política mais expansionista. Essa percepção pressiona os juros reais de longo prazo para cima e reduz o espaço para cortes na taxa básica de juros, a Selic, no curto prazo. Por outro lado, o índice oficial de inflação, o IPCA, tem mostrado arrefecimento nos indicadores recentes divulgados pelo IBGE.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de meados de outubro, o IPCA-15, registrou alta de 0,32%, ficando abaixo das projeções dos analistas econômicos consultados pelo mercado. Nos últimos doze meses até meados de outubro, a inflação acumulada atingiu 4,62%, mantendo-se dentro do intervalo tolerado pelo sistema de metas do Banco Central. A autoridade monetária segue monitorando os índices de atividade econômica e a evolução fiscal enquanto se prepara para a próxima reunião de política monetária.

Fontes consultadas

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