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Economia

Tesouro Direto tem negociações suspensas e Bolsa aciona circuit breaker

Reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provoca forte volatilidade, alta do dólar e cancelamento de leilões de títulos públicos.

Por 3 min de leitura

Tesouro Direto tem negociações suspensas e Bolsa aciona circuit breaker
Tesouro Direto tem negociações suspensas e Bolsa aciona circuit breaker

O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de intensa volatilidade nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno realizado no domingo (25). Com a forte oscilação dos ativos, a B3 acionou o mecanismo de interrupção temporária de negociações, conhecido como circuit breaker, evento que não ocorria desde março de 2020. A disparada nas taxas dos títulos públicos também provocou a paralisação das operações voltadas a pessoas físicas na plataforma do Tesouro Direto.

A suspensão das negociações na Bolsa ocorreu logo no leilão de abertura, às 9h57, paralisando o segmento de ações por 30 minutos. Paralelamente, o avanço acelerado das taxas de juros negociadas no mercado secundário levou à interrupção das transações no Tesouro Direto para investidores individuais, medida adotada para conter desajustes nos preços dos papéis e evitar movimentos de pânico.

O dólar comercial registrou uma forte valorização de 12,25%, atingindo o patamar de R$ 5,60. No mercado futuro, os contratos da moeda norte-americana com vencimento em dezembro subiram ainda mais, alcançando a cotação de R$ 5,64. Os contratos futuros do Ibovespa chegaram a cair 19,70%, enquanto os juros futuros dispararam em toda a curva.

Diante do cenário de forte estresse nos indicadores, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação que estavam previstos para a terça e a quinta-feira. No entanto, o órgão manteve agendado para terça-feira o leilão de papéis vinculados à taxa básica de juros, a Selic.

Em comunicado oficial, o Tesouro Nacional informou que continuará monitorando as condições de mercado e atuará de forma a assegurar o bom funcionamento do mercado de títulos públicos e de outros ativos relacionados. Analistas do setor apontam que a reprecificação inicial pode ser considerável, com maior impacto sobre os títulos prefixados e IPCA+ de prazo mais longo.

O JPMorgan projetou que as taxas dos títulos públicos brasileiros podem alcançar até 15,5% em um cenário pessimista após o pleito. O banco avalia que o resultado eleitoral pressiona os juros no país e optou por rebaixar a recomendação para a dívida soberana brasileira em dólar, além de adotar uma postura mais cautelosa em relação aos ativos locais.

A reação dos investidores reflete a expectativa de menor disciplina nas contas públicas durante o novo mandato presidencial. Especialistas destacam que o ambiente econômico exige cautela, enquanto o mercado aguarda a estabilização dos preços e a reabertura completa das negociações dos ativos afetados.

Fontes consultadas

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