Tesouro Direto: prefixados renovam mínimas após primeiro turno
Taxas dos títulos públicos registraram novas quedas nesta terça-feira, impulsionadas pela repercussão do cenário eleitoral no mercado financeiro.
As taxas dos títulos prefixados do Tesouro Direto registraram novas quedas na abertura desta terça-feira (6), refletindo o segundo dia de repercussão do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. O movimento de baixa renovou as mínimas históricas de rentabilidade para os papéis de longo prazo desde o lançamento de cada modalidade pelo Tesouro Nacional.
Entre os destaques da sessão, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 teve a maior retração, passando de 12,90% para 12,79% ao ano. O Prefixado 2032 recuou de 12,81% para 12,71% ao ano, acumulando uma queda expressiva de 150 pontos-base em relação ao fechamento da última sexta-feira (2), quando o título pagava 14,21% ao ano. Já o Prefixado 2029 ajustou sua taxa de 12,62% para 12,55% ao ano.
Os papéis indexados à inflação também apresentaram recuo no início do pregão, embora com menor intensidade do que os prefixados. O Tesouro IPCA+ 2050 passou de IPCA mais 6,59% para IPCA mais 6,51%, enquanto a versão com vencimento em 2032 foi de IPCA mais 7,00% para IPCA mais 6,95%.
A forte reação do mercado ocorreu após o primeiro turno colocar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na liderança da disputa presidencial, com 47,03% dos votos válidos, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registrou 45,16%. O segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro.
Para Ricardo Farias, gestor de renda fixa e multimercado da Fator Administração de Recursos, a reprecificação reflete a expectativa de alternância de poder com a potencial vitória de Flávio Bolsonaro, um cenário que ainda não estaria totalmente precificado. O especialista, no entanto, recomendou cautela aos investidores e sugeriu aguardar o arrefecimento da euforia para distinguir movimentos de repescagem real de simples ruídos de curto prazo.
O cenário econômico mais amplo também foi marcado por forte movimentação nos demais indicadores na véspera e na abertura desta terça-feira. Na segunda-feira (5), o Ibovespa registrou sua maior alta diária desde março de 2020, enquanto o dólar sofreu queda acentuada. Nos negócios internacionais, o mercado acompanhou a retração dos rendimentos dos títulos norte-americanos e a baixa nos preços do petróleo.
Enquanto os ativos de renda fixa reagem ao cenário político e macroeconômico, analistas continuam monitorando os desdobramentos das alianças partidárias para o segundo turno. O governador Romeu Zema já declarou apoio ao candidato do PL, enquanto novas adesões são aguardadas no cenário político nacional nas próximas horas.