Tifanny é liberada para estrear pelo Osasco após adiamento de julgamento
Atleta obteve autorização provisória da Justiça enquanto a Justiça Desportiva avalia o mandado de garantia na próxima sexta-feira.
A oposta Tifanny Abreu recebeu autorização provisória para defender o Osasco São Cristóvão Saúde na estreia da Superliga Feminina 2026/27. A confirmação foi divulgada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) após uma decisão da 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro, que acolheu parcialmente um pedido de tutela da atleta para garantir sua condição de jogo em caráter excepcional.
O Osasco entrou em quadra para enfrentar o Brasília na Capital Federal. Tifanny ficou à disposição da comissão técnica e integrou o grupo que viajou para a partida, mas começou o confronto no banco de reservas. A liminar que assegura a presença da jogadora em competições nacionais foi concedida na última sexta-feira.
Enquanto a atleta tem o direito de atuar provisoriamente, a questão segue submetida à Justiça Desportiva, onde tramita o Mandado de Garantia nº 002/2026. O julgamento do caso, que estava inicialmente marcado para esta segunda-feira, foi adiado pelo tribunal para a próxima sexta-feira, às 10h30.
De acordo com a confederação, o adiamento ocorreu devido a dois fatores principais: a apresentação de uma grande quantidade de documentos pelos advogados da jogadora e um pedido formal do Osasco para ingressar no processo na condição de terceiro interessado, protocolado poucas horas antes da sessão.
Em paralelo aos debates desportivos, a Justiça Comum do Rio de Janeiro rejeitou um pedido da defesa de Tifanny para aumentar uma multa aplicada à CBV. Os advogados da atleta alegavam que a entidade teria descumprido a decisão liminar, mas o juízo entendeu que a penalidade só seria cabível caso a oposta fosse efetivamente impedida de atuar em alguma partida, o que não ocorreu. A decisão destacou que Tifanny participou da Supercopa Feminina de 2026 e já constava regularmente na Relação Nominal Final.
Primeira atleta transgênero do voleibol brasileiro, Tifanny, de 41 anos, disputa a Superliga desde 2017 e cumpre sua sexta temporada consecutiva com a camisa do Osasco. A situação da jogadora gerou debates sobre as diretrizes adotadas após novas regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) relacionadas a atletas trans em competições femininas.
Enquanto os trâmites jurídicos e desportivos continuam em andamento, a CBV informou que pretende esgotar os recursos e buscar a reversão da decisão judicial nas instâncias cabíveis. Ao mesmo tempo, a entidade reforçou seu compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas, reiterando o repúdio a qualquer tipo de manifestação discriminatória.