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Trump desiste de transmitir ao vivo a execução de ex-major americano

Presidente norte-americano recuou da decisão após forte polêmica nacional e internacional, embora a pena de morte por fuzilamento esteja mantida para dezembro.

Por 3 min de leitura

Trump desiste de transmitir ao vivo a execução de ex-major americano
Trump desiste de transmitir ao vivo a execução de ex-major americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que a execução por fuzilamento do ex-major Nidal Malik Hasan não será mais transmitida ao vivo. A decisão, comunicada por meio de sua rede social, representa um recuo do governo após o plano inicial de exibição pública gerar reações contrárias de lideranças religiosas, políticos e autoridades internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). A execução de Hasan está marcada para o dia 3 de dezembro.

Apesar de voltar atrás na transmissão, Trump defendeu que a exibição da pena capital poderia servir como um forte fator de dissuasão e demonstrar como o país lida com terroristas. Contudo, ele ponderou que muitas pessoas bem-intencionadas prefeririam não assistir ao ato. Em sua declaração, o presidente enfatizou que o ex-militar morrerá conforme o planejado, mas que o evento não será veiculado, garantindo apenas que os familiares diretos das vítimas possam acompanhar o procedimento presencialmente, caso desejem.

A proposta de tornar a execução um evento público havia sido divulgada pelo Pentágono e defendida pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que argumentava que o público precisava testemunhar as consequências de crimes graves. No entanto, a ideia provocou críticas severas de diversos setores. O arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, classificou a proposta como uma promoção bárbara de uma cultura de morte. Além disso, o vice-presidente J.D. Vance já havia manifestado ceticismo, afirmando publicamente que não pretendia assistir à transmissão.

Especialistas e veículos de imprensa também apontavam que plataformas de tecnologia e grandes redes de televisão provavelmente recusariam a exibição por violarem diretrizes internas relativas à exibição de violência real e morte. A desistência do governo evita um impasse inédito entre a administração federal e as empresas de mídia e de streaming.

Nidal Hasan, que atuava como psiquiatra militar no Exército dos Estados Unidos, foi o autor de um ataque ocorrido em 5 de novembro de 2009 na base de Fort Hood, no Texas. Na ocasião, ele abriu fogo em um centro de preparação médica onde soldados se preparavam para missões no exterior. O atentado resultou na morte de 13 pessoas e deixou dezenas de feridos, sendo a maioria militares.

Após o ataque, Hasan foi contatado e baleado durante uma troca de tiros, ficando paralisado da cintura para baixo e passando a utilizar cadeira de rodas. Em 2013, um júri militar o condenou à morte por unanimidade em corte marcial, após o ex-militar admitir a autoria dos disparos e abrir mão de uma defesa tradicional. As execuções militares são extremamente raras nos Estados Unidos — a última ocorreu em 1961 —, e o uso do fuzilamento é um método incomum no sistema norte-americano atual.

Fontes consultadas

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