Ações da Petrobras e mercado brasileiro despencam após reeleição de Lula
Investidores reagem negativamente à confirmação do resultado eleitoral, provocando fortes quedas nos ativos negociados no Brasil e no exterior.
Os ativos financeiros brasileiros registraram fortes perdas nesta segunda-feira (26), refletindo a reação dos investidores à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um inédito quarto mandato na Presidência da República. O principal fundo de índice brasileiro negociado nos Estados Unidos, o EWZ, despencava quase 26% nas negociações iniciais, enquanto os recibos de ações da Petrobras negociados no exterior (ADRs) despencavam mais de 16% para os papéis equivalentes às ações preferenciais PETR4, acompanhando um cenário generalizado de aversão ao risco no mercado doméstico e internacional.
A vitória de Lula foi confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após uma disputa apertada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), encerrando um pleito marcado por forte polarização e debates acalorados sobre os rumos da economia. Analistas apontam que o resultado surpreendeu parte do mercado que trabalhava com a expectativa de uma guinada para uma agenda econômica mais liberal, gerando agora a necessidade de uma correção de rota e de preços nos pregões.
No cenário corporativo internacional, os papéis da Petrobras sentiram o impacto imediato da volatilidade. Os ADRs equivalentes às ações ordinárias PETR3 recuavam cerca de 15,41%, enquanto os correspondentes aos ativos PETR4 afundavam 16,48%. Especialistas ressaltam, contudo, que a estatal petrolífera ainda mantém pontos de sustentação devido à sua exposição ao dólar e ao preço internacional do petróleo, além de uma política de dividendos que continua a atrair o interesse de investidores em momentos de instabilidade.
O impacto da reeleição também foi sentido de forma severa no principal índice da bolsa brasileira. Avaliações de instituições financeiras indicam que o Ibovespa pode enfrentar uma pressão significativa de baixa, com projeções de que o índice recue em direção à faixa dos 170 mil pontos, pressionado pela perspectiva de juros futuros mais elevados e pela desvalorização cambial. O real mais fraco e a deterioração das expectativas fiscais tendem a limitar a atuação do Banco Central na condução da taxa Selic.
Apesar do ambiente de cautela e da perspectiva de volatilidade no câmbio e na curva de juros, algumas carteiras de investimento buscam alternativas de proteção. Instituições financeiras recomendam atenção a empresas com receitas atreladas ao dólar, como exportadoras de commodities e industriais, além de companhias com balanços sólidos e menor endividamento que consigam atravessar o cenário adverso de aversão ao risco com maior resiliência.
A situação fiscal do país desponta como o principal foco de preocupação para os próximos meses. Analistas econômicos enfatizam que a definição de uma equipe econômica crível e a adoção de medidas fiscais concretas serão determinantes para conter a alta das taxas reais de juros de longo prazo e estabilizar o humor dos mercados financeiros ao longo do novo mandato presidencial.
Fontes consultadas
- ETF do Brasil no exterior EWZ cai quase 26% na abertura com reeleição de Lula infomoney.com.br
- Itaú (ITUB4), Azul (AZUL3) e Smart Fit (SMFT3): destaques do mercado nesta segunda (26) - GAZETA MERCANTIL gazetamercantil.com
- Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar? seudinheiro.com