Amazon registra queda no lucro e fluxo de caixa negativo
Apesar do crescimento expressivo da divisão de computação em nuvem AWS, empresa viu o lucro líquido recuar no terceiro trimestre devido a pesados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.
A Amazon divulgou nesta quinta-feira os resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre de 2026, revelando um lucro líquido de US$ 20,69 bilhões, o que representa uma retração de 2% em relação aos US$ 21,19 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. A receita total da companhia atingiu US$ 201,9 bilhões, apresentando uma alta de 12% na comparação anual, mas ficando ligeiramente abaixo das projeções do mercado financeiro.
O lucro diluído por ação da gigante tecnológica fechou o trimestre em US$ 1,89, valor que também ficou aquém da expectativa média dos analistas, que aguardavam cerca de US$ 1,96. Com a combinação de resultados financeiros mistos e o impacto financeiro dos aportes tecnológicos, as ações da companhia registraram queda superior a 5% nas negociações após o fechamento do mercado em Nova York.
O principal destaque positivo do balanço trimestral veio da Amazon Web Services, a divisão de computação em nuvem da empresa. A unidade obteve receita de US$ 46 bilhões, marcando um avanço de 39% na comparação anual e alcançando o ritmo de crescimento mais acelerado dos últimos cinco anos. O lucro operacional da divisão somou US$ 17,8 bilhões, impulsionado pela alta demanda corporativa por infraestrutura voltada a inteligência artificial.
O CEO da companhia, Andy Jassy, destacou o desempenho da divisão de nuvem e projetou que a unidade continue expandindo suas receitas em patamares elevados nos próximos anos. Segundo executivos da empresa, a forte demanda por serviços como o Bedrock reflete o avanço do uso de modelos tecnológicos por grandes corporações, consolidando a AWS como o motor financeiro mais lucrativo do grupo.
Em contrapartida, os investimentos maciços em infraestrutura, data centers e servidores voltados para a inteligência artificial pressionaram fortemente a saúde financeira de curto prazo da companhia. O fluxo de caixa livre acumulado nos 12 meses encerrados em setembro ficou negativo em US$ 42,4 bilhões, revertendo o cenário positivo de um ano antes, quando o indicador registrava saldo positivo de US$ 14,8 bilhões.
A empresa atribuiu a virada no fluxo de caixa ao volume expressivo de compras de propriedades e equipamentos. Apenas no terceiro trimestre, os desembolsos nessa categoria superaram os patamares anteriores, refletindo a corrida tecnológica do setor. A administração da companhia reiterou a previsão de desembolsar cerca de US$ 220 bilhões em despesas de capital ao longo de todo o ano de 2026.
Outro setor que apresentou desempenho inferior às expectativas foi o de publicidade, que registrou receita de US$ 19,6 bilhões, alta anual de 11%, mas abaixo das previsões de Wall Street. Mudanças no calendário do Prime Day e fatores sazonais foram apontados como motivadores da desaceleração momentânea, com a expectativa de recuperação para os últimos meses do ano.
Para o quarto trimestre de 2026, período que engloba as tradicionais vendas de fim de ano, a Amazon projetou uma receita global entre US$ 240 bilhões e US$ 247 bilhões. O ponto médio da estimativa ficou ligeiramente abaixo das expectativas médias levantadas por analistas, mantendo a atenção do mercado voltada à capacidade da empresa de monetizar seus investimentos bilionários.
Fontes consultadas
- Amazon cai após balanço do 3º trimestre e aumento de gastos com inteligência artificial melhorinvestimento.net
- Amazon tem margem recorde e AWS acelera, mas lucro decepciona no 3º tri; ação cai 6% exame.com
- Gastos da Amazon disparam em meio à desaceleração do crescimento das vendas on-line oglobo.globo.com
- Amazon decepciona em lucro e vê caixa afundar com gastos em IA olhardigital.com.br
- Ações da Amazon despencam 11% no after-market após receita do 3º trimestre vir abaixo das estimativas, fluxo de caixa livre fica negativo em US$ 33,456 bilhões tradingkey.com