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Política

Defesa de Flávio Bolsonaro pede investigação contra Lula por uísque raro

Petição protocolada no Supremo Tribunal Federal aponta suspeita de corrupção passiva e advocacia administrativa envolvendo garrafa avaliada em meio milhão de reais.

Por 3 min de leitura

Defesa de Flávio Bolsonaro pede investigação contra Lula por uísque raro
Defesa de Flávio Bolsonaro pede investigação contra Lula por uísque raro

A defesa do senador Flávio Bolsonaro protocolou uma petição suplementar ao Supremo Tribunal Federal solicitando a abertura de uma investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido, direcionado ao ministro André Mendonça, requer que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar suspeitas de corrupção passiva e advocacia administrativa.

O centro da controvérsia é uma garrafa de uísque The Macallan 1945, cujo valor é estimado em cerca de R$ 500 mil. A peça de colecionador teria sido adquirida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e oferecida ao chefe do Executivo federal em meio a investigações e tratativas de interesses do Banco Master junto a órgãos da administração pública.

De acordo com reportagens baseadas em mensagens extraídas do telefone de Vorcaro e apreendidas pela Polícia Federal, a compra do destilado ocorreu no final de outubro de 2024, coincidindo com o período próximo ao aniversário do presidente. Registros indicam que um assistente cotou o item em mais de 80 mil euros em Londres antes de sua entrega, enquanto mensagens posteriores mostram o advogado Walfrido Warde transmitindo agradecimentos em nome de Lula.

Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam na petição que o presente não se tratava de uma mera cortesia entre conhecidos, mas sim de uma vantagem econômica significativa ofertada por um agente com interesses diretos perante o governo federal e o Banco Central. A representação legal aponta ainda para um encontro fora da agenda oficial ocorrido entre o presidente e Vorcaro no final de 2024.

Questionado publicamente sobre o episódio, Lula declarou não se recordar de ter recebido a garrafa e afirmou que, caso o presente de fato tenha chegado a suas mãos, ele já teria consumido o conteúdo. O presidente também argumenta que recebe habitualmente diversas lembranças e que não tem controle sobre a origem de todas elas, mantendo a postura de que reuniões com o ex-banqueiro trataram estritamente de aspectos técnicos.

O caso ganha repercussão no cenário político em meio às discussões sobre o cumprimento de normas de conduta para agentes públicos. Críticos apontam que a aceitação de um item de altíssimo luxo violaria o Estatuto do Servidor Público e a Lei de Conflito de Interesses, que proíbem o recebimento de bens de valor de pessoas ou entidades com pendências ou interesses junto aos órgãos governamentais.

A tramitação da petição ocorre em um momento de acirrada disputa eleitoral e intensa polarização política no país. Cabe agora ao ministro André Mendonça decidir se encaminhará formalmente o pedido à Procuradoria-Geral da República para que uma investigação oficial seja instaurada.

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