Pular para o conteúdo
Política

Disputa eleitoral acirra mobilização digital nas redes sociais no segundo turno

Canais de mensagens e estratégias de engajamento marcam a reta final da campanha presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Por 3 min de leitura

Disputa eleitoral acirra mobilização digital nas redes sociais no segundo turno
Disputa eleitoral acirra mobilização digital nas redes sociais no segundo turno

A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, o aplicativo WhatsApp tornou-se o principal campo de batalha digital entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro. Por meio de canais administrados por aliados políticos, os dois lados mobilizam milhões de seguidores com o objetivo de conquistar votos e ampliar a circulação de mensagens de apoio aos candidatos em todo o país.

Os principais exemplos dessa mobilização são o grupo "Exército do Lula", liderado pelo deputado federal André Janones, e a "Tropa do Flávio", criada pelo deputado federal Nikolas Ferreira. Embora não integrem os canais oficiais diretamente geridos pelas candidaturas, essas ferramentas concentram boa parte da movimentação digital do período eleitoral.

Especialistas em análise de dados apontam que o crescimento expressivo de iniciativas como o grupo liderado por Janones representa uma novidade na dinâmica das plataformas. Enquanto a direita historicamente consolidou redes descentralizadas de mobilização desde 2018, a atual campanha da oposição tem enfrentado um fator inesperado de volume e organização no campo progressista.

Os números refletem a intensidade da disputa nas plataformas. O "Exército do Lula" ultrapassou a marca de 7,7 milhões de seguidores, impulsionado por um crescimento acelerado em poucas semanas. Em contrapartida, a "Tropa do Flávio" estabilizou-se na faixa de 2 milhões de seguidores, concentrando o núcleo mais engajado do bolsonarismo.

A dinâmica de funcionamento de ambos os canais é baseada em chamadas públicas chamadas de missões. Os administradores orientam os seguidores a compartilhar conteúdos específicos, dialogar com eleitores e manter determinados tópicos em evidência na internet. No entanto, analistas ponderam que a quantidade de inscritos não traduz automaticamente conversão de votos, sendo o engajamento e a capacidade de furar bolhas os fatores determinantes.

A disputa também gerou conflitos na Justiça Eleitoral. O canal ligado à campanha de Lula foi alvo de pedidos de suspensão e decisões divergentes entre ministros do Tribunal Superior Eleitoral, envolvendo debates sobre vínculos com as estruturas oficiais e registros obrigatórios. Paralelamente, propostas para desativar canais de grande alcance nas vésperas da votação chegaram a ser discutidas na corte para proteger a integridade do pleito.

Com o acirramento das regras e o risco de novas suspensões, lideranças políticas já articulam alternativas para manter o contato direto com a base de apoiadores. A eficácia dessas redes na reta final da eleição dependerá, agora, da habilidade de cada grupo em influenciar eleitores indecisos e dominar o debate público nos últimos dias antes da votação.

Fontes consultadas

Leia também