Dólar sobe para R$ 5,09 e Ibovespa fecha em forte queda
Mercado financeiro reage a incertezas eleitorais e dados de inflação persistente nos Estados Unidos.
O Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, fechou em forte queda nesta sessão, recuando 1,06% e atingindo 204.324 pontos, enquanto a cotação do dólar avançou 1,2%, sendo negociado entre R$ 5,08 e R$ 5,09. O pregão foi marcado por volatilidade e cautela dos investidores, que recalibram expectativas diante da reta final da corrida presidencial e de novos indicadores econômicos externos.
No cenário doméstico, a indefinição política pesou sobre os negócios. A nova pesquisa Quaest apontou um empate técnico na margem de erro na disputa pelo Palácio do Planalto, com Flávio Bolsonaro registrando 46% das intenções de voto contra 44% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O cenário de acirramento eleitoral esfriou o apetite recente do mercado, que vinha precificando uma vitória da oposição.
Além da disputa presidencial, o ambiente legislativo também movimentou os ativos. O Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da jornada de trabalho na escala 6x1 por 75 votos a 1. A medida, que segue para promulgação no Congresso, gerou debates sobre o aumento dos custos operacionais das empresas e seu impacto na projeção de lucros corporativos.
Para Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, os números das pesquisas elevam a cautela dos investidores em relação às perspectivas fiscais futuras. 'O cenário exige cautela, mas não altera necessariamente as perspectivas de longo prazo da bolsa. A combinação entre estabilidade fiscal, redução dos juros e ganhos de produtividade será fundamental para sustentar a valorização das empresas', afirmou o executivo.
Internamente, o mercado também aguarda os desdobramentos da agenda política, incluindo as sabatinas dos candidatos à presidência na televisão e a divulgação de novas pesquisas de intenção de voto do instituto Datafolha. A disputa estabilizada interrompeu o rali recente registrado na B3 nas semanas anteriores.
No cenário externo, o pessimismo foi alimentado pela inflação nos Estados Unidos. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) avançou 1,3% em setembro, marcando a maior aceleração mensal desde março de 2022 e ficando muito acima das projeções do mercado, que estimavam um avanço de 0,6%.
De acordo com Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, o resultado acima do esperado elevou a aversão ao risco globalmente. 'Diante de um resultado do PPI muito acima das expectativas, estamos vendo a continuidade desse movimento. Preocupados com o cenário atual, os investidores estão buscando ativos considerados mais seguros, como os títulos da dívida pública americana', explicou.
A alta da inflação americana alimenta incertezas sobre a trajetória futura dos juros pelo Federal Reserve, o que influencia diretamente a rota do capital estrangeiro e pressiona os mercados emergentes, culminando no descolamento da bolsa brasileira em relação aos índices de Nova York.