Pular para o conteúdo
Economia

Empresa das Bahamas acusa liquidante do Banco Master de burlar decisão do STF

A disputa judicial envolve a recuperação de ativos bilionários e bens de luxo ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro no exterior.

Por 2 min de leitura

Empresa das Bahamas acusa liquidante do Banco Master de burlar decisão do STF
Empresa das Bahamas acusa liquidante do Banco Master de burlar decisão do STF

Uma empresa financeira sediada nas Bahamas, a Mosaic Financial, protocolou uma petição no gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a EFB Regimes Especiais — liquidante extrajudicial do Banco Master — de tentar desobedecer uma ordem da corte suprema brasileira.

O litígio tem como pano de fundo a decisão do STF que determinou o sequestro de todos os bens de Daniel Vorcaro e do Banco Master para garantir o ressarcimento de prejuízos causados ao Estado brasileiro. A medida visa impedir a dispersão de ativos enquanto investigações apuram a separação entre patrimônios ilícitos e recursos necessários para reparações.

De acordo com a Mosaic, a liquidante enviou uma notificação a seu representante legal nas Bahamas exigindo a transferência de ativos antes que eles pudessem ser repassados ao governo brasileiro. A defesa da empresa estrangeira argumenta que tal conduta demonstra a intenção de agir de forma contrária à ordem do STF.

O advogado da Mosaic, João Kappen, criticou duramente a atuação do liquidante, afirmando que a priorização de interesses privados na recuperação dos recursos fere o esforço de ressarcimento nacional. Por sua vez, fontes ligadas à liquidação sustentam que a busca pelos bens listados em delações premiadas serve justamente para preservar o patrimônio da instituição financeira, sem violar as restrições impostas por Mendonça.

A disputa internacional ocorre em meio a investigações complexas que revelam o desvio de recursos do banco brasileiro para o exterior. Recentemente, a própria EFB Regimes Especiais identificou o rastreamento de cerca de R$ 840 milhões desviados do Master, convertidos em propriedades de luxo em Aspen e Miami.

Documentos apresentados em um tribunal de falências nos Estados Unidos detalham que o esquema utilizava uma rede de offshores nas Bahamas e nas Ilhas Cayman, além de empresas de fachada e trusts familiares. Essas estruturas adquiriam imóveis de alto padrão em dinheiro vivo para o uso pessoal de Vorcaro, blindando o patrimônio enquanto o banco acumulava um déficit bilionário no Brasil.

Enquanto a massa falida busca anular transferências e congelar os imóveis no exterior para pagar credores, a controvérsia jurídica em torno das ações nas Bahamas evidencia o embate entre os interesses de recuperação privada da liquidação e o sequestro de bens determinado pela justiça brasileira.

Fontes consultadas

Leia também