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Política

Futuro político de Márcio Canella depende de julgamento no TSE

Mesmo preso preventivamente pela Polícia Federal, o deputado estadual eleito poderá ser diplomado em dezembro, mas enfrenta recursos que ameaçam seu mandato.

Por 3 min de leitura

Futuro político de Márcio Canella depende de julgamento no TSE
Futuro político de Márcio Canella depende de julgamento no TSE

O futuro político do deputado estadual eleito Márcio Canella (União) está condicionado a decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após ele ser preso preventivamente pela Polícia Federal na oitava fase da Operação Unha e Carne, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio de Janeiro. A operação investiga uma suposta organização criminosa voltada à lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis e conexões com agentes públicos, registrando movimentações bilionárias ao longo de seis anos.

Mesmo atrás das grades, advogados especializados em Direito Eleitoral apontam que Canella poderá ser diplomado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no dia 18 de dezembro por meio de procuração. No entanto, o cenário político e judicial permanece cercado de incertezas, visto que tramita em Brasília um recurso do Ministério Público Estadual contra a sua candidatura, que havia sido deferida pelo TRE por seis votos a um a apenas cinco dias das eleições estaduais.

O recurso do MPE, que aguarda o parecer do procurador-geral da República e Procurador-Geral Eleitoral Paulo Gonet para ser julgado pelo ministro Sebastião Reis Júnior no TSE, baseia-se em indícios de ligação do político com milícias na Baixada Fluminense. Caso a corte decida pela anulação do registro, os 197.178 votos recebidos por Canella — a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro neste pleito — poderão ser redistribuídos entre os demais candidatos da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, ou resultar em uma retotalização completa com alteração do quociente eleitoral.

Especialistas jurídicos apontam ainda outros obstáculos legais que o parlamentar eleito pode enfrentar. De acordo com a defesa e acadêmicos de direito eleitoral, a recente decisão de prisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pode ser utilizada como fato novo em contestações judiciais. Além disso, o cenário abre margem para a propositura de Ações de Impugnação de Mandato Eletivo caso sejam apresentadas provas de abuso do poder econômico ou fraude.

Mesmo que consiga superar as barreiras judiciais e seja diplomado sem impedimentos, Canella precisará assumir efetivamente suas funções na Assembleia Legislativa do Estado a partir de 2027. A legislação estabelece que a ausência não justificada a um terço das sessões parlamentares pode resultar na cassação direta do mandato.

A trajetória recente de Canella foi marcada por fortes reviravoltas políticas. Após romper com seu antigo aliado Waguinho e apoiar Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2022, ele venceu a Prefeitura de Belford Roxo em 2024. No início de 2026, renunciou ao cargo municipal para integrar a chapa majoritária ao Senado articulada pelo senador Flávio Bolsonaro, com direito a Rogéria Bolsonaro como sua primeira suplente. No entanto, após uma prisão em flagrante em julho por porte irregular de um fuzil calibre .556 — posteriormente liberado mediante medidas cautelares por ordem do STF —, Canella desistiu da disputa nacional e optou por concorrer à Alerj, onde conquistou expressiva votação apesar das turbulências policiais e judiciais.

Fontes consultadas

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