Governo eleva projeção de déficit e anuncia bloqueio de gastos
Ajuste orçamentário decorre de revisões nas contas públicas federais e estaduais, gerando debates sobre o controle de despesas e o cumprimento de metas fiscais.
O Ministério do Planejamento e Orçamento elevou a projeção de déficit primário do governo federal para o ano, passando de R$ 52 bilhões para R$ 80,9 bilhões, sem considerar as deduções legais. A atualização, divulgada no final de setembro, veio acompanhada pelo anúncio de contingenciamento e bloqueio de verbas para tentar alinhar as contas públicas às regras do arcabouço fiscal.
Para alcançar o equilíbrio exigido pelas normas vigentes, a equipe econômica recorreu a deduções legais que somam cerca de R$ 67,3 bilhões, abrangendo despesas como precatórios excedentes, ressarcimentos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), além de gastos temporários em saúde, educação e projetos de defesa. Com essas deduções e um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões, o saldo final calculado busca atender aos limites da legislação.
A revisão orçamentária também englobou o reajuste de 15% nos benefícios do programa Bolsa Família, cujo valor complementar subiu para até R$ 691. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a despesa adicional foi acomodada por meio de remanejamentos internos e da redução nas previsões de gastos com a Previdência Social, sem comprometer os investimentos estratégicos.
Enquanto a esfera federal lida com o reajuste das estimativas de rombo, o cenário nos estados também reflete pressões financeiras. Em Minas Gerais, o déficit previsto para o orçamento estadual de 2027 saltou para R$ 10,51 bilhões, o dobro do montante projetado para o exercício de 2026. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão atribuiu o aumento a despesas constitucionais obrigatórias com saúde, educação, pesquisa e ao pagamento de juros da dívida pública.
No debate nacional sobre o controle das contas estaduais e federais, economistas apontam que cortes profundos esbarram na rigidez do orçamento. Especialistas destacam que a maior parte dos gastos primários é de natureza obrigatória, como aposentadorias, pensões e o próprio Bolsa Família, o que restringe as margens de manobra do governo e direciona a discussão para a eficácia de medidas como o combate a fraudes e a revisão de privilégios no funcionalismo.
Por outro lado, o Banco Central revisou para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o período, refletindo uma atividade mais fraca em setores sensíveis às taxas elevadas de juros, como a indústria e os serviços. A inflação projetada permanece acima do teto da meta oficial, mantendo o alerta sobre a estabilidade econômica e a sustentabilidade da dívida pública.
Fontes consultadas
- Déficit previsto para Minas dobra e chega a R$ 10,5 bilhões no orçamento de 2027; entenda - Diário do Comércio diariodocomercio.com.br
- Corte amplo de gastos públicos afetaria área social, dizem economistas agenciabrasil.ebc.com.br
- Contas do governo têm déficit de R$ 13,6 bi em agosto; em 2026, rombo é de R$ 94,9 bi oglobo.globo.com
- BC revisa para baixo projeção de crescimento da economia brasileira; previsão de rombo das contas públicas piora | G1 g1.globo.com
- Governo inclui Bolsa Família no Orçamento e prevê alta do rombo fiscal metropoles.com