Governo Milei vende AySA por US$ 340 milhões e assina pacto global do G20
Consorcio privado adquiriu 90% das acoes da estatal de agua, enquanto a administracao federal firmou declaracao internacional contra a sobreproducao industrial.
O governo do presidente argentino Javier Milei concluiu a adjudicacao da empresa estatal de agua e saneamento AySA ao consorcio liderado por Rowing, Arcos, Transclor e PHX por 340,2 milhoes de dolares, correspondente a 90% das acoes. A oferta superou a proposta da concorrente Roggio SA, que havia oferecido 285 milhoes de dolares, embora o valor tenha ficado abaixo dos 500 milhoes esperados pelo Ministerio da Economia. Os 10% restantes das acoes continuam com o sindicato liderado por Omar Lingeri.
A operacao integra o plano de privatizacoes da administracao libertaria e preve obrigacoes contratuais de investimentos na ordem de 2,89 bilhoes de pesos a precos de dezembro de 2025 para o periodo entre 2027 e 2031. O Ministerio da Economia justificou a venda apontando que, entre 2006 e 2023, a companhia recebeu mais de 13,4 bilhoes de dolares em transferencias do Tesouro Nacional, mantendo deficits operacionais e deficiencias na cobertura dos servicos essenciais.
No cenario internacional, o governo de Milei assinou nos Estados Unidos uma declaracao conjunta com outros paises do G20 advertindo sobre os impactos negativos da capacidade produtiva excessiva e das distorcoes comerciais na economia global. O documento, subscrito por ministros de Comercio de quinze nocoes e pela Uniao Europeia apos reunioes em Milwaukee, aponta que economias com producao superior a demanda geram concorrencia desleal e afetam mercados locais.
Apesar de o texto nao citar nominalmente a China, as criticas ocorrem em meio a questionamentos internacionais sobre as praticas industriais do pais asiatico e o dumping em setores como veiculos eletricos, baterias, produtos quimicos e paineis solares. Pequim, que integra o G20, nao assinou o acordo. Os signatarios comprometeram-se a criar plataformas setoriais para debater o problema e avaliar medidas protetivas ate dezembro de 2026.
Enquanto avanca com privatizacoes e alinhamentos globais, a administracao federal enfrenta tensoes internas e projecoes desfavoraveis no plano politico domestico. O deputado Miguel Angel Pichetto afirmou publicamente que o oficialismo devera ser derrotado nas eleicoes de 2027 devido ao desgaste economico suportado pela classe media e pelos trabalhadores, criticando tambem a gestao presidencial e recentes decisoes judiciais sobre a legislacao de terras.
No ambito legislativo, o Senado da provincia de Buenos Aires foi palco de confrontos verbais e reproducao de audios polimicos entre o peronismo e representantes de La Libertad Avanza, envolvendo referencias a figuras politicas como o ex-presidente Alberto Fernandez e o atual mandatario. Paralelamente, o bloco governista no Senado nacional lida com disputas internas entre a secretaria-geral da Presidencia, Karina Milei, e a senadora Patricia Bullrich em torno da definicao de comissoes estrategicas e sabatinas de magistrados.
Fontes consultadas
- Milei se vuelve a encolumnar detrás de Trump y firmó una declaración contra el "exceso productivo" mundial eldestapeweb.com
- Pichetto pronosticó una derrota de Milei en las elecciones 2027: “No veo espíritu de reelección en la sociedad” lagaceta.com.ar
- Guerra de audios en el Senado bonaerense: del discurso de Milei a los insultos de Alberto Fernández urgente24.com
- AySA: el Gobierno de Milei se desprende de la empresa estatal de agua por US$340 millones bloomberglinea.com
- Interna en La Libertad Avanza: Karina Milei acorrala a Patricia Bullrich en comisión clave del Senado ambito.com