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Economia

Incerteza eleitoral e horário de votação geram cautela nos mercados

Prorrogação da votação e dúvidas sobre a apuração elevam percepção de risco e preocupam investidores.

Por 3 min de leitura

Incerteza eleitoral e horário de votação geram cautela nos mercados
Incerteza eleitoral e horário de votação geram cautela nos mercados

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de estender o horário de votação do segundo turno das 17h para as 19h no horário de Brasília, introduziu uma nova camada de incerteza para os investidores brasileiros. O ponto em discussão nos mercados deixou de ser apenas a definição sobre quem ocupará a Presidência da República entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, passando a abranger também a previsibilidade e a legitimidade do próprio resultado eleitoral.

Durante transmissão do Market Makers, o estrategista de ações da Empiricus Research, Matheus Spiess, avaliou que a imprevisibilidade e a falta de definição política podem resultar em queda na Bolsa brasileira. Antes da medida judicial, os preços já vinham embutindo expectativas de ajuste fiscal e de redução do prêmio de risco, o que havia favorecido o desempenho dos ativos locais nas últimas semanas.

O cenário político também reflete expectativas de analistas financeiros e pesquisas de intenção de voto. Levantamentos recentes apontavam empate técnico, enquanto projeções de instituições como Citi e Bloomberg indicavam reações distintas dependendo do vencedor, com cenários de valorização para uma vitória de Bolsonaro e pressões negativas em caso de triunfo de Lula, ressaltando o impacto de um possível ajuste fiscal na estabilidade da dívida pública.

Para o mercado financeiro, a ausência de um cronograma confiável e rápido para o veredito eleitoral altera a dinâmica de precificação. Enquanto um resultado claro permite que os investidores analisem propostas econômicas, contas públicas e a composição ministerial, um processo cercado de questionamentos jurídicos adia essa análise e eleva de forma generalizada a aversão ao risco.

O impacto dessa volatilidade se estende por diferentes classes de ativos, incluindo ações, câmbio e contratos de juros futuros. Analistas apontam que as taxas projetadas para prazos longos na curva de juros capturam o risco fiscal, tornando-se o principal termômetro da capacidade do próximo governo de organizar as contas públicas.

No exterior, o EWZ, fundo negociado em Nova York que replica uma carteira de ações brasileiras, funcionou como termômetro do humor internacional. Participantes do mercado observaram que o ETF perdeu força após a repercussão da decisão judicial, movimento que também apareceu em sua versão tokenizada negociada durante o fim de semana em plataformas de criptoativos, servindo como indicador de cautela antes da reabertura oficial dos pregões.

Especialistas destacam que o comportamento dos ativos nos próximos dias dependerá de como a Justiça Eleitoral conduzirá a apuração, da ausência de novas paralisações e da capacidade das instituições de responder a questionamentos. A separação entre oscilações de curto prazo e alterações estruturais nas condições fiscais e institucionais permanece como o principal desafio para a alocação de capital no país.

Fontes consultadas

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