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Economia

Indústria automotriz debate avanços e desafios para a inclusão feminina

Representantes de grandes montadoras apontam que a participação de mulheres nas fábricas cresceu nos últimos anos, mas persistem barreiras na formação técnica e na ocupação de cargos de liderança.

Por 3 min de leitura

Indústria automotriz debate avanços e desafios para a inclusão feminina
Indústria automotriz debate avanços e desafios para a inclusão feminina

A participação feminina nas plantas e fábricas do setor automotivo apresentou um crescimento expressivo de 156% entre os anos de 2020 e 2025, conforme dados apresentados por executivas da indústria. Apesar do avanço expressivo, a disparidade numérica ainda permanece evidente, visto que as mulheres representam apenas 9,8% do total de colaboradores nessas linhas de produção.

O cenário foi amplamente debatido durante o painel intitulado "A mirada feminina na indústria automotriz", integrante da décima segunda edição do evento Mujeres Líderes. O diagnóstico detalhado por Soledad Bereciartua, diretora de Comunicação e Prensa da Stellantis Argentina, indicou que a presença feminina no conjunto total do setor industrial cresceu 45% no mesmo período, alcançando uma fatia de 18%, enquanto cargos de gerência e direção concentram 24% de mulheres.

Um dos principais entraves apontados para a expansão da contratação reside na etapa prévia ao recrutamento. De acordo com Natalia Lage, gerente de Talento e Relaciones Laborales da Prestige Auto, a produção industrial exige qualificações técnicas específicas onde ainda existe escassez de candidatas formadas. Funções nas áreas eletromecânica, elétrica e eletrônica carecem de maior influxo de mão de obra feminina desde as bases educacionais.

Apesar das dificuldades na formação, algumas unidades fabris já contam com operárias ativamente integradas nas linhas de montagem, como ocorre na produção do utilitário Mercedes-Benz Sprinter em Virrey del Pino. Para as companhias, o objetivo atual é assegurar que essas profissionais também consigam transicionar para posições de liderança e se tornem referências internas.

No que tange às novas operações, a inclusão tem ganhado destaque no planejamento de futuras produções. Ao comentar sobre as contratações voltadas ao novo polo produtivo de picapes localizado na província de Córdoba — local onde são fabricados os modelos Fiat Titano e RAM Dakota —, Bereciartua destacou que metade dos novos postos preenchidos foi destinada a mulheres.

A representatividade também se reflete no perfil de quem consome os veículos. No segmento de motocicletas, María Fernanda Ledesma Padilla, gerente de Marketing da Honda Motor de Argentina, observou um aumento no número de clientes do sexo feminino que utilizam os veículos para fins laborais. Esse comportamento tem exigido adaptações nas estratégias de comunicação e nas exigências de especificações e cores por parte do público.

Especialistas enfatizam que a simples contratação não esgota a necessidade de políticas corporativas voltadas à equidade. A retenção de talentos exige a criação de planos de carreira sólidos e canais de diálogo com representações sindicais focados nas particularidades e necessidades específicas das trabalhadoras.

Por fim, as lideranças do setor concordam que a adaptação às pautas de diversidade e inclusão tornou-se um fator determinante para a atração de novos talentos. A postergação de mudanças estruturais, segundo as executivas, compromete a competitividade das empresas diante de um mercado em constante transformação.

Fontes consultadas

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