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Economia

Inflação de combustíveis no Brasil quase dobra em 2026 mesmo com subsídios

Altas no preço do petróleo provocadas por conflitos internacionais impulsionam o custo dos combustíveis e pressionam a economia nacional.

Por 3 min de leitura

Inflação de combustíveis no Brasil quase dobra em 2026 mesmo com subsídios
Inflação de combustíveis no Brasil quase dobra em 2026 mesmo com subsídios

A inflação acumulada dos combustíveis no Brasil entre janeiro e setembro de 2026 alcançou 4,49%, quase o dobro da taxa registrada em todo o ano anterior, quando o índice fechou em 2,30%. O avanço nos preços ocorre apesar de uma série de subsídios e desonerações tributárias adotadas pelo governo federal para conter o impacto inflacionário provocado pelas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia.

Para tentar amortecer o choque sobre os consumidores, a gestão federal direcionou cerca de R$ 40 bilhões para medidas de subvenção direta e isenção de tributos como PIS, Cofins e PIS/Pasep incidentes sobre o óleo diesel, a gasolina, o etanol e o biodiesel. Entre as ações implementadas ao longo do ano estão reduções temporárias de alíquotas e injeções de recursos em toda a cadeia de produção e importação.

Apesar dos esforços fiscais, os reflexos do encarecimento do petróleo tipo brent — que disparou após o início do conflito no Oriente Médio em 28 de fevereiro, saindo de cerca de US$ 70 para patamares próximos a US$ 120 — mantiveram a pressão sobre o mercado interno. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que alguns derivados, como o óleo diesel S10, acumulam altas de até 20,85% desde o início das hostilidades, enquanto o etanol registrou retração média de 10,58%.

O cenário internacional desfavorável também foi detalhado pela Agência Internacional de Energia (IEA), que apontou que a escassez de diesel e a rigidez no mercado de petróleo devem persistir até boa parte de 2027. Além das restrições de navegação no Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento do petróleo do Golfo Pérsico, a produção russa de óleo diesel tem sofrido quedas devido a danos em refinarias causados por ataques de drones ucranianos.

O impacto da inflação e do custo de vida tem gerado repercussões internacionais expressivas. Na França, manifestações contra a alta inflacionária e cortes em serviços públicos reuniram mais de 500 mil pessoas em dezenas de cidades, resultando em confrontos, depredações de edifícios históricos, mais de 600 policiais feridos e cerca de duas mil detenções. Outros países europeus, como Portugal, Itália, Bélgica e Espanha, também registraram protestos semelhantes no mesmo período.

No contexto de Cabo Verde, previsões divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que o arquipélago deverá registrar um crescimento econômico de 5% e uma inflação de 2,8% em 2027, números que divergem das projeções do governo local presentes no Orçamento de Estado. O FMI destacou que economias importadoras de energia e fora da cadeia de valor tecnológica enfrentam um cenário complexo, marcado por custos de importação elevados e restrições fiscais.

Diante do cenário desafiador para o próximo período, especialistas e organismos internacionais reforçam a necessidade de os governos equilibrarem o controle imediato da inflação e da dívida pública com investimentos estruturais em transição energética e diversificação comercial para garantir maior resiliência econômica a médio e longo prazo.

Fontes consultadas

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