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Política

Investigação da Polícia Federal apura vazamento de decisões no STJ

Advogado e procurador aposentado são alvos de apuração sobre acesso antecipado a documentos sigilosos e pareceres do Ministério Público Federal.

Por 3 min de leitura

Investigação da Polícia Federal apura vazamento de decisões no STJ
Investigação da Polícia Federal apura vazamento de decisões no STJ

A Polícia Federal investiga um esquema de vazamento de informações sigilosas que atingia o Superior Tribunal de Justiça e o Ministério Público Federal, envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro. De acordo com as investigações, o escritório de advocacia recebia antecipadamente minutas de decisões e pareceres, permitindo que a defesa conhecesse os resultados de julgamentos antes da divulgação oficial e ajustasse suas estratégias processuais conforme os interesses de seus clientes.

Um dos principais suspeitos de atuar no fornecimento dessas informações reservadas é o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, que ocupou o cargo de subprocurador-geral da República e se aposentou em março de 2026. A Polícia Federal identificou sete episódios nos quais Soares teria antecipado dados e influenciado o conteúdo de manifestações institucionais do MPF para atender ao escritório de Tomaz.

Entre os casos sob análise está uma disputa judicial relacionada a um terreno em Brasília que envolve uma família de herdeiros e o valor de 176,4 milhões de reais. Os investigadores apontam que, em setembro de 2026, a defesa teve acesso a uma minuta de acórdão do STJ dois dias antes de sua assinatura oficial, o que coincidiu com a desistência de um recurso por parte das empresas representadas pelo advogado.

Outro episódio examinado pela corporação envolve o senador Weverton Rocha, cliente de Willer Tomaz, em uma ação por danos morais. Na véspera de um julgamento previsto para setembro de 2025 na Quarta Turma do STJ, tanto o parlamentar quanto a editora processada apresentaram pedidos de desistência dos recursos, levantando suspeitas sobre o conhecimento prévio do entendimento que seria adotado pelo colegiado.

A lista de processos sob suspeita abrange ainda litígios de grande repercussão, como a disputa entre J&F e Paper pela Eldorado Celulose, questões ligadas ao espólio do fundador do Banco Santos, Cid Ferreira, e um caso envolvendo uma empresa de comunicação pertencente ao próprio advogado investigado. A apuração também avalia a possível participação de um funcionário da área de informática do próprio STJ no vazamento dos documentos.

Com a aposentadoria de Antônio Carlos Simões Soares, a tendência inicial é que o caso envolvendo o ex-subprocurador seja remetido para a primeira instância da Justiça, deixando o foro por prerrogativa de função. Paralelamente, Willer Tomaz também é alvo de apurações sobre suposta lavagem de dinheiro decorrente de desvios de recursos de aposentadorias.

Em nota oficial divulgada à imprensa, a defesa de Willer Tomaz negou de forma veemente todas as acusações apontadas pela Polícia Federal. O advogado declarou que jamais obteve acesso irregular a documentos judiciais ou interferiu em manifestações do Ministério Público Federal, sustentando que sua atuação profissional sempre respeitou estritamente a legislação e as prerrogativas da advocacia.

Fontes consultadas

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