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Economia

Juros no Brasil devem ficar em dois dígitos até 2028, prevê Gustavo Loyola

Ex-presidente do Banco Central aponta que o avanço contínuo do endividamento público pressiona a condução da política monetária e cria uma trajetória perigosa para as contas do Estado.

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Juros no Brasil devem ficar em dois dígitos até 2028, prevê Gustavo Loyola
Juros no Brasil devem ficar em dois dígitos até 2028, prevê Gustavo Loyola

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola projetou que as taxas básicas de juros no Brasil deverão permanecer em dois dígitos pelo menos até o ano de 2028. A declaração foi feita durante participação no videocast Stock Pickers, do InfoMoney, e destaca as dificuldades persistentes para controlar as contas públicas e estabilizar o endividamento estatal.

Segundo o economista, tentar conter a desorganização orçamentária exclusivamente por meio da política monetária gera efeitos indesejados. Para ele, não adianta manter uma situação fiscal extremamente vulnerável e esperar que a autoridade monetária suporte todo o peso da economia apenas elevando a taxa Selic.

Loyola detalhou que o país corre o risco de cair em um círculo vicioso no qual juros mais altos ampliam a dívida pública sem qualquer contrapartida no controle do resultado primário. Esse cenário eleva o prêmio de risco exigido pelos investidores, alimentando um ciclo contínuo de novas altas que se assemelha a uma bola de neve.

Na avaliação do ex-dirigente, o Banco Central atua de maneira isolada na tentativa de conter a inflação, enquanto as pressões políticas e econômicas por reduções nos juros tendem a se intensificar. Ele ressaltou que uma instituição sozinha não consegue resolver o problema estrutural do país.

O economista também avaliou que a meta de inflação fixada em 3%, o cenário inflacionário global e o comportamento do câmbio afastam qualquer perspectiva de alívio rápido nas taxas. Mesmo com uma eventual desaceleração da atividade econômica e a queda no preço das commodities, o prêmio de risco elevado sustentará o patamar contracionista.

Diante desse contexto, Loyola descartou a possibilidade de o Brasil retornar aos níveis de juros observados no período anterior à crise sanitária global. Ele enfatizou que as condições atuais da economia brasileira tornam inviável a volta àquele patamar pré-pandemia.

Apesar dos alertas severos sobre o avanço da dívida, o ex-presidente do Banco Central ponderou que o país não se encontra à beira de uma crise imediata ou iminente. No entanto, ele reiterou que a trajetória fiscal atual é perigosa e exige maior engajamento da classe política na aprovação de reformas estruturais de longo prazo.

Fontes consultadas

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