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Ciência

Observatório espacial Swift da NASA retorna à Terra após 22 anos

Telescópio orbital famoso por detectar explosões cósmicas extremas encerra sua trajetória com reentrada atmosférica controlada e monitorada.

Por 3 min de leitura

Observatório espacial Swift da NASA retorna à Terra após 22 anos
Observatório espacial Swift da NASA retorna à Terra após 22 anos

O Observatório Neil Gehrels Swift, da agência espacial norte-americana NASA, iniciou sua reentrada descontrolada na atmosfera terrestre nesta semana, marcando o fim de uma missão que superou por mais de dez vezes a expectativa inicial de duração no espaço. Com peso aproximado de 1,4 tonelada, o satélite orbitava o planeta a uma velocidade de cerca de 27 mil quilômetros por hora e teve suas operações científicas encerradas no dia 20 de outubro.

A previsão inicial calculada pelas autoridades espaciais indicava que a maior parte da estrutura do satélite deveria se desintegrar devido ao atrito com as camadas da atmosfera, embora alguns componentes mais resistentes pudessem alcançar a superfície. A NASA estimou que o risco de ferimentos a qualquer pessoa no planeta era extremamente baixo, calculado em cerca de 1 em 2.100, com uma faixa potencial de queda restrita a regiões tropicais e subtropicais que englobam principalmente oceanos e grandes extensões terrestres.

Lançado originalmente em novembro de 2004 para uma missão planejada de apenas dois anos, o observatório Swift destacou-se no estudo de rajadas de raios gama, consideradas as explosões mais potentes do universo. Equipado com três instrumentos dedicados a varrer o céu em diferentes comprimentos de onda, o telescópio cumpriu o papel de alerta rápido, permitindo que astrônomos de todo o mundo direcionassem outros equipamentos para registrar o pós-brilho desses fenômenos fugazes.

Ao longo de quase vinte e dois anos de funcionamento, o satélite registrou mais de 2 mil rajadas de raios gama, além de monitorar centenas de supernovas, galáxias ativas, cometas e asteroides. Os dados coletados geraram um vasto arquivo científico citado em milhares de publicações acadêmicas, revolucionando a compreensão da astrofísica moderna sobre eventos cósmicos de alta energia e transientes.

O declínio orbital do observatório foi acelerado nos últimos anos devido ao aumento da atividade solar, que aqueceu e expandiu a atmosfera terrestre, gerando um arrasto superior ao previsto inicialmente pelos cientistas. Sem propulsão própria para realizar correções de trajetória, o satélite perdeu altitude progressivamente até entrar em modo de segurança no mês passado, quando operadores da Universidade Estadual da Pensilvânia enviaram os comandos finais para desativá-lo.

Meses antes do fim, a NASA tentou viabilizar uma missão de resgate inédita em parceria com a empresa privada Katalyst Space Technologies, contratada para acoplar uma espaçonave robótica ao telescópio e elevá-lo a uma órbita mais segura. No entanto, falhas técnicas ocorridas logo após o lançamento do veículo de resgate em julho forçaram o abandono da tentativa de salvamento, selando o destino do observatório.

Apesar do desfecho do Swift, a agência espacial segue avaliando opções para prolongar a vida útil de outros instrumentos clássicos no espaço, como o Telescópio Espacial Hubble. Especialistas e cientistas celebraram o legado histórico deixado pelo observatório de raios gama, destacando sua contribuição inestimável para a exploração contínua do universo e o avanço tecnológico na observação astronômica.

Fontes consultadas

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