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Brasil

Pastor presbiteriano vira réu por crimes sexuais e gera crise em Rondônia

Relatos de mulheres expõem falhas institucionais e campanhas de difamação após denúncias de abusos contra o religioso em Porto Velho.

Por 3 min de leitura

Pastor presbiteriano vira réu por crimes sexuais e gera crise em Rondônia
Pastor presbiteriano vira réu por crimes sexuais e gera crise em Rondônia

O pastor presbiteriano e psicólogo Aluízio Vidal Flor, de 58 anos, tornou-se réu na Justiça em 1º de outubro de 2025, acusado de estupro e violação sexual mediante fraude em Porto Velho, Rondônia. O caso envolve acusações formais de quatro mulheres, cujos relatos detalham abusos cometidos durante aconselhamentos pastorais e sessões de atendimento psicológico entre 2012 e 2025. O religioso está preso preventivamente desde 15 de setembro, por determinação da juíza Keila Alessandra Roeder Rocha de Almeida, que negou pedidos da defesa para que ele respondesse em liberdade.

No total, doze mulheres buscaram o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) para relatar condutas abusivas semelhantes, sendo todas acolhidas pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit). Uma segunda frente de investigação no órgão ministerial apura agora os depoimentos prestados pelas outras oito denunciantes. A defesa do pastor e a liderança da Igreja Presbiteriana Gileade foram procuradas para se manifestar sobre os desdobramentos, mas não responderam aos contatos até o momento.

Entre as denunciantes está Mírian Rios, que relatou ter enfrentado intensa hostilidade e campanhas de descredibilização após formalizar sua queixa tanto no MP-RO quanto na liderança da igreja. Segundo ela, em vez de receber acolhimento pastoral, passou a ser alvo de ataques à reputação dentro da comunidade religiosa. Membros da congregação e líderes teriam utilizado sermões e redes sociais para retratar o pastor como vítima de uma conspiração para dividir a instituição, enquanto as vítimas eram rotuladas como ameaças à paz familiar e coletiva.

Mírian afirmou que boatos espalhados nos bastidores questionavam sua estabilidade emocional e sua conduta moral. De acordo com os relatos, frequentadores chegaram a afirmar que ela sofria de transtornos psicológicos ou nutria uma paixão reprimida pelo líder religioso. A ofensiva atingiu profundamente sua vida pessoal e conjugal. "De vítima, fui transformada em prostituta e vilã", declarou a ex-fiel, relatando que também foram difundidas mentiras sobre sua vida privada.

No âmbito eclesiástico, o caso tramitou pelo Presbitério de Porto Velho (PPVH), órgão encarregado de zelar pela disciplina conforme a Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil. Durante o procedimento interno, o plenário aplicou ao pastor a pena de afastamento ministerial por tempo indeterminado, por seis votos a quatro. A sanção baseou-se na admissão de um comentário impróprio sobre a aparência física de Mírian, rotulado pelo acusado como uma brincadeira, além de um antecedente disciplinar interno por fornicação.

O tribunal eclesiástico, contudo, foi alvo de críticas por parte das vítimas e de seus representantes legais devido ao tratamento dispensado às denúncias. Durante as audiências do processo disciplinar, a defesa do investigado expôs conversas íntimas obtidas em contextos terapêuticos e conjugais para tentar minar a credibilidade das denunciantes. Além disso, regras internas exigiram comprovação de membresia evangélica para a participação da defesa das vítimas e o relator barrou a unificação de relatos de outras mulheres para demonstrar um padrão de conduta.

A advogada Carla Begnini, que representa Mírian e outras vítimas no processo criminal, destacou que a prisão preventiva do pastor foi fundamental para coibir interferências na apuração, uma vez que o investigado estaria manipulando o conselho e a liderança da igreja. Diante da continuidade de ataques virtuais e ofensas à honra divulgadas nas redes sociais, a equipe jurídica registrou novos boletins de ocorrência e ajuizou ações cíveis por danos morais.

Fontes consultadas

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