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Política

PF apreende 20 veículos de luxo e 33 armas em operação contra organização criminosa

Ação investiga esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 7,6 bilhões por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

Por 3 min de leitura

PF apreende 20 veículos de luxo e 33 armas em operação contra organização criminosa
PF apreende 20 veículos de luxo e 33 armas em operação contra organização criminosa

A Polícia Federal deflagrou a oitava fase da Operação Unha e Carne, resultando na prisão preventiva do deputado estadual eleito Márcio Canella e do ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amim. A ação, realizada na última quinta-feira (15), visa desmantelar uma organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio para ocultar recursos de origem ilícita.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo, os agentes confiscaram um vasto patrimônio. O balanço final da operação aponta a apreensão de 20 veículos de luxo, 33 armas, munições, 14 celulares, 49 joias e relógios de alto valor, além de cerca de R$ 90 mil em espécie e diversos documentos que serão periciados.

As investigações, que contaram com suporte de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicam que o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O esquema envolveria centenas de pessoas físicas e jurídicas, operando principalmente no setor de combustíveis para camuflar a origem do dinheiro, que a PF suspeita ter sido desviado da Prefeitura de Belford Roxo durante a gestão de Canella.

Além de Canella e Amim, foram presos os inspetores da Polícia Civil Christiano Gaspar Fernandes, Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira. A Justiça Federal manteve as prisões preventivas após a realização das audiências de custódia. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, também determinou o sequestro de bens e o bloqueio de até R$ 700 milhões, além da suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à rede investigada.

A Polícia Federal aponta Márcio Canella como o articulador político e patrono do grupo, atuando como um elo entre o poder público, o setor empresarial e facções criminosas. Documentos apreendidos anteriormente reforçam a suspeita de que o ex-prefeito seria beneficiário direto de repasses financeiros oriundos das atividades dos postos de combustíveis, utilizando codinomes como "Amigo" para ocultar as transações.

Em um desdobramento paralelo, a investigação identificou R$ 80 milhões em emendas parlamentares destinadas a Belford Roxo sem a devida identificação nominal dos responsáveis pela indicação. Anotações encontradas no celular de Canella citam os nomes dos deputados federais Pedro Lucas Fernandes e Gabriel Mota, embora não haja, até o momento, comprovação de desvio direto dessas verbas públicas para o esquema de lavagem de dinheiro.

A defesa de Márcio Canella declarou que o político confia na Justiça e acredita que todos os pontos serão esclarecidos. Os outros investigados, por meio de seus representantes legais, seguem acompanhando o acesso aos autos do processo. A operação, que faz parte da força-tarefa Missão Redentor II, continua em curso para apurar crimes de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e formação de cartel.

Fontes consultadas

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